Esta pretendo que seja a postagem mais importante de todas, sobre aquilo que vocês esperaram de mim nesses muitos anos em que já vivi. Porque posso muito bem estar perdendo a razão, porque tudo aquilo que aprendi está sendo esquecido muito rapidamente. Eram coisas lá do século XX, uma época quando fui bem ou quem sabe razoavelmente educado e amado, e quando tive filhos e uma parte dos meus netos, num período em que mantive a constante expectativa de um dia lhes passar tudo aquilo que eu e nossos ancestrais estivemos fazendo, talvez construindo de bom e quem sabe aprendendo, com acertos e erros, sob o céu deste planeta e no universo divino. Só que não. Hoje vejo que há bem pouco efetivamente aproveitado ou sequer em uso naquilo tudo que lhes ensinei. Ou seja é inútil ou pouquíssimo útil minha experiência, até mesmo nas bases urbanas das comunidades, para o que de melhor eles já estão fazendo, com base em outros agentes ou “influencers”, no dia a dia atual e nesse cotidiano acelerado, certamente sob muitas novíssimas demandas, nestes novos tempos. É por isso que inventei este título acima para esta postagem: estou, hoje em dia, sempre buscando o reverso daquelas verdades simples, as quais pautaram minha vida e suas decisões, a cada tempo.
E nessa andança e no passo desse balanço, entre verso e reverso dos textos e das velhas crenças, que acabei por me reencontrar com a poesia do universo. E que, só agora, passo a compreender de fato as idas e as vindas da consciência e da sabedoria humanas. Ou seja, já admito que prazeres elementares da vida, como saborear refeições ou, na intimidade, passar noite sob encanto visceral, dérmico e sensorial com quem amamos, como atos essenciais podem sim ser tão sacralizados, enquanto acontecimentos magníficos e que dão profundo sentido à vida das pessoas – tanto material quanto espiritual – independentemente de capacitação ou qualquer habilitação dos seres que protagonizam esse evento mágico de prazer. Muito menos o cenário, ritmos desses momentos ou sua produção ou o caráter na magia de espaço definirão essa porção de vida, sorvida ali pelos perpetradores ou agentes desse divino momento. Pois ele pode acontecer em leitos de castelos, sob luxo do mais lindo “ressort” planetário ou, então nas metrópoles, sob viaduto fétido ou mocós de marquises. Mais que essa mudança de cena, ainda eivada pela metalinguagem de certa magia, agora ela vem embalada por novos estímulos químicos pouco confiáveis. E então, o certo é que essa tal meritocracia, para navegar nas essências da vida, que nos leva a prazeres imensos e profundos com suas imponderabilidades, estão por assim dizer em crise, porquanto acessiveis. E, portanto, para meus netos e descendentes têm um outro significado, provavelmente mais banal do que era para mim. Penso que eles já relativizam tanto o saber como o ter e o ser – seja o prazer ou outra conquista -, segundo todos aqueles velhos padrões e significâncias construídos por muitos milênios de civilização. Então a nossa poesia, daqui para frente, irá quiçá navegar à deriva, nesse ciberespaço de jogos e guerras onde, rapidamente, já não farão mais nenhum sentido os preços das tais coxinhas ou mortadelas, o que dirá das fontes de energia ou da cotação nas moedas.
Uma consciência para quase oito bilhões de indivíduos sobre o planeta vem surgindo, meio que atropelada e independente das crenças já convencionadas, inclusive aquelas nas quais acreditei, as que eram apoiada em muitas Nações soberanas do projeto Republicano mundial, desenhado no século anterior ao meu e que só seria possível, sob o sonho da democracia eletiva desde uma escala elementar, de bases comunitárias. O cenário republicano era promissor: enaltecia a arte a alma e a ciência com formatos laicos e sem qualquer misticismo, isso após se derrubar o velho terror das guerras seculares, eivadas de rancor, sob as Inquisições Doutrinárias, Monásticas e Monárquicas, sempre mantidas por cardeais e generais. No século XIX era como se já tivéssemos prontos, pelo novo humanismo do Conhecimento, um consistente Código de Ética ou Norma de Humanidades que fosse: o qual, todavia, nunca existiu como consenso. E dali para a frente, no meu século XX, chegamos por aqui afinal depois de três guerras mundiais entre nações que não nunca se entendem e nem sepultam os hábitos e as fardas de seus cardeais e generais, criados ainda em ninhos de clausura, ali, sempre fora e escondidos do tecido social, econômico e cultural ocorrente entre o povo, ou seja, os cidadãos comuns. Esse ainda é um povo que teme, pois sente os Palácios, os Quarteis e os Templos como ovos de serpentes, sempre de olhos voltados para a morte e nunca para a vida.
Depois do ano 2000 já vivemos uma quinta parte de um novo século, num ciberespaço cultural que nos muda em hábitos e rotinas, mas não tanto em essências, naquilo que se viveu ao final do século XX. Foi lá que, como sempre, a arte sinalizou o futuro que estava por vir. Apontei dois filmes dos anos noventa – “O 5º Elemento” e “O 13º Guerreiro” -, mas poderia citar outros, tais como a trilogia “Star Wars” ou “Brazil - o filme”, que sinalizaram para novos desafios da história humana após 2000 e as prováveis mudanças no terceiro milênio do calendário cristão. Escolhi narrativas da sétima arte – o cinema - porque é a mais visitada nestes nossos tempos. Antes de tudo, esses filmes já indicam um rompimento temporal com todo o passado: em seus numerais, apesar do toque pitagórico do cinco (5) negam o zodiacal 12, múltiplo do três presente nas trindades e nas estrelas ou nos solstícios, segundo os quatro elementos da tradição; e ali inserem o amor como um etéreo campo sensorial, quase cidadela, que é apresentado como deserdado estranho e sem família no futuro. Enquanto os elementos são postos em 1997 num cenário para remoto futuro ficcional, já o segundo filme, em 1999, regride ao terror puro e simples de uma humanidade ainda pré-medieval, também assinalando ruptura com o 12 zodiacal e evangélico, numa parábola onde dois cavaleiros andantes e guerreiros – um muçulmano e outro cristão - se despem de suas próprias crenças para emprestar um novo olhar a um povoado nórdico ainda tribal, o qual mistifica de maneira primária a magia religiosa, o poder e a ameaça de outros povos ou etnias. Uma certa parceria comunitária de três povos para resistir ao apartheid terrorista vindo do fanatismo religioso no inimigo, isso num roteiro bastante despretensioso
Li e reli documentos históricos, onde religião era um portal de informação científica, artística e idiomática, onde profetas refletiam e lideravam as culturas de suas comunidades, com o saber herdado dos ancestrais na direção de orientar seus descendentes na comunidade. Usavam uma linguagem flexível com ciência de certa magia, a mesma magia que acabou sendo perseguida e mutilada por certos fanatismos religiosos que se firmaram nos dois milênios anteriores a este. Nas academias e templos de antes, Literatura em Homero e Filosofia na Grécia, no Egito e ainda nas Índias, todas as orientais e ocidentais. Já nos dois milênios de Império Romano e Bizantino, as civilidades foram fortemente eivadas por superstições e ritos de apartheid entre os povos, a Guerra e a Fé andando de braços dados para bretões, gauleses, condes ou marqueses. Somente os conhecimentos subtraídos das colônias viriam a tirar as pestes das civilidades eurocêntricas. Sou hoje, portanto, um amante devoto do Universo Divino como ele se apresenta no cosmo, na humildade deste planetinha e das vidas que nele habitam. Mas acho que toda boa Fé é ciência com certas lantejoulas e, assim, frequento igrejas, terreiros, centros de reflexão espiritual e todo espaço que promova amor, compaixão, amizade e saber. Tanto é assim que reconheço, ainda hoje, ser necessária maior efetividade no ciber espaço, com alcance popular massivo, em prol de uma conduta humana comunitária mais tolerante, pacífica e solidária, ainda sob as velhas normas de convivência trazidas na antiguidade por Hamurabi, Confúcio, Moysés e Spinoza. Claro que hoje temos que interpretar cientificamente essas linguagens originais e os verbetes à época utilizados. Pois a visão monoteísta e antropomórfica de Deus ou de todos arcanos ancestrais, de anjos ou deuses e semideuses mitológicos e originários, como profetas, são simples e meras expressões de linguagem. Não vem deles a noção ditatorial de ordem imutável e positivada em padrões, no ambiente cósmico. A imponderabilidade e diversidade da vida é que permitiu ocorrência de inteligência neural maior ou menor entre espécimes e indivíduos. Mas mesmo assim todas eles, esses velhos pensadores, sem exceção, tinham por metas atos voltados à preservação da vida no cosmo, sem comprometer ou dizimar outras vidas, humanas ou não. Nossas atuais leis laicas buscam um saber profano, sob consenso necessário entre saberes e pensamentos diversos. Não é tão difícil deletar vetores que hoje dividem as pessoas entre proprietários de espaços e não proprietários, vencedores e vencidos, perdedores e ganhadores.
A tecnologia permite outra cidadania. Cinderelas, Princesas, Fadas ou Bruxas VOTA MITO NÃO! E mais, VIVA TODA DIVERSIDADE, como se cantou em prosa e verso mês passado. Ela é aquela pilha renovada no progresso das instituições, encerrando um milênio e abrindo outro, na linha iniciada no século passado, para dar fim a mundos diferentes para pessoas diferentes, quando o sabor da vida é o convívio pleno e livre e amoroso entre as diversidades e idades.

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