Algumas pessoas, mais próximas de mim, reclamaram porque abandonei meu blog e deixei de produzir esses textos mais longos durante os meses de março e de abril recém passados. Há muito mais gente reagindo às breves e curtas postagens minhas nas redes sociais. Porém vejo que tal convívio, assim com suas mensagens tão breves ou curtas, para alguns tantos amigos é bastante incompleto ou insuficiente. E, junto a esses, corro risco de estragar muitas amizades bem antigas, aquelas a que ainda prezo muito, por motivos banais neste ano político, em coisas ainda mal explicadas sobre o que penso das atuais eleições. Por isso e em nome desses afetos estou de volta: pois eles, os velhos amigos, lutaram como eu pra que, no Brasil, voltasse a se ter democracia representativa nos anos oitenta, desta feita com muito mais participação e controle direto das comunidades e da sociedade sobre todos os serviços públicos em geral, chegando a uma das propostas mais completas e recentes, acolhida como pacífica e exemplar entre muitas nações republicanas deste mundo. Naqueles anos, em nome da paz, aceitamos uma anistia geral e irrestrita até para torturadores fardados ou não e jamais aceitaríamos ou poderemos admitir que tais “ovos de serpente” sejam aquecidos novamente. A Era Republicana nasceu das fímbrias da Sociedade Humana na sua relação direta com o Planeta Terra e seus recursos naturais, com estabelecimento de escrutínios, a cada tempo, para empossar governantes sem mais quaisquer interpretação étnica ou imposições de valores ditadas por Monarcas, Bispos e Generais. A nova Era Republicana ainda está em construção, em todos os continentes do mundo: a Arte, Ciência, Tecnologia, Economia, Clubes, Igrejas, Culturas, Leis ou Normas com suas competências estarão a serviço da Sociedade Humana e do Planeta Terra, pois eles são os mandatários Republicanos. E não o contrário. A vida não pode ser ameaçada ou degradada, em nome de nenhum interesse cujo olhar proteja o mecanismo do desempenho para comprometer o pleno desfrute humano.
Vivendo já a sétima década de vida, sou prudente neste singular ano de eleições. Após a anistia dos anos oitenta, foi em 2018 que a eleição nacional anterior sofreu vários ataques de diferentes origens, desde tiroteios ou facadas (simulados ou não) até uma morte e uma prisão de dois pré-candidatos, assim como, também, a manipulação midiática de praxe e, ainda, a odiosa ausência do debate final, entre os mais votados. Isso tudo à época aconteceu sem que houvesse, ainda, o atual aparelhamento hoje intensificado entre Poderes Executivos e autoridades militares. A sociedade deve, através de seus líderes comunitários e com ajuda dos tribunais e dos parlamentares mais experientes e confiáveis, estar atenta para que outros atentados e novas irregularidades sejam neste ano rechaçadas judicialmente e com muita veemência, e sob a permanente vigilância de órgãos e organizações mundiais com efetiva tradição no apoio às Repúblicas livres e democráticas do planeta. Do ponto de vista dos partidos hoje legalmente estabelecidos e alianças entre eles, eu gostaria de ver uma disputa menos polarizada, indo para segundo turno dois dos cinco melhores vetores de desempenho, em compromissos assumidos claramente diante do povo. Isso desde nossa cultura política nacional que, tradicionalmente, é sempre muito dividida entre grupos de interesses (alguns mesquinhos), geralmente nos campos e perspectivas das várias e respectivas classes econômicas e culturais diversas, ocorrentes no cenário nacional contemporâneo. Por fim declaro que seguirei pesquisas confiáveis para meu voto presidencial, buscando força pra muitos tirarem do segundo turno a eventual e perigosa reeleição desse canalha, o atual presidente. Na reta final, uma semana antes do sufrágio, votarei num daqueles que mais tomaram os votos do canalha, para ele já entrar fraco, caso vá para o segundo turno. Se houver um segundo turno sem o canalha, votarei naquele que prometa desaparelhar de imediato essa corja que tomou o poder e que tenha o melhor currículo para mudanças estruturais, que protejam a Carta Magna e, por exemplo, a Função Social e ambiental da propriedade.
E, a partir de agora, tenho muito mais a dizer, ainda, sobre ódios e paixões, que não essas políticas ou as esportivas ou, ainda, as religiosas. Prefiro lhes falar daquelas chamas que movem o mundo, na vida íntima e pessoal de cada um: minha, sua e de todos nós. Li na rede social que um célebre escritor europeu (não cito o nome porque pode ser inverdade) teria dito que Amor Eterno só acontece nos amores impossíveis, como o de Romeu e Julieta. Ou seja, casou e coabitou? Morre o amor, daí, tudo vira hábito e amizade. E da paixão então, o que se fala dela? Algo a ver com a compaixão? Ou só se trata de luxúria e frenesi sem quaisquer fins? Melhor no divã do analista: vamos falar disso depois da política acima? Ou Poder e Foder têm, de fato, tudo a ver? Pior de tudo é que penso assim: que sim. Penso que as linguagens se desenvolveram, na nossa espécime animal de humanoides, desde a fase corporal e a sonora-rítmica, até gráfica e, muito depois, na idiomática verbal e na síntese grafo-escrita, muito adiante artístico-científica, e culturalmente na linguística, no sentido mais abrangente e atual. O amor e a paixão trefegaram em todas essas ou mais fases comportamentais e linguísticas, para esta nossa condição humana enquanto espécime animal. E a partir da minha idade, as coisas começam a clarear, com ou sem o divã do analista. Importância em minha individualidade está restrita a mim mesmo e a pessoas do meu cotidiano, no dia-a-dia e nestas outras pessoas por aqui, na rede social nossa a cada dia. De resto minha vida é como a de uma folha de grama num relvado, sem nenhuma importância para os destinos do planeta. Porém essa noção de mim mesmo me faz eterno, como é toda grama nas estepes da Mongólia. Elas estão ainda lá: foram elas mobilidade de cavalos para as Europas, retomando diálogo entre Caim e Abel, para cavaleiros como Dom Quixote levantarem suas lanças para falar da guerra e da arte, da paixão e do amor, entre o idealismo e o tirocínio prático sobre cada página da realidade.
Pessoalmente, como grama me realizei e deliciei, nos doze signos e nas três quadraturas do amor e da paixão. Recomendo, todavia, que observem existir nuances as vezes muito tênues entre a compaixão, o amor, a paixão e o ódio (ou rancor). Para AMOR sempre vários canais haverão, multifacetados, de carinho e também de compaixão, para o trato e o entendimento na linguagem humana. Todavia o rancor ou ódio exige ampliar maior arsenal de compaixão e de perdão, admitindo sempre alguma perda ou dano permanente no prazer dado pela relação amorosa. Para a PAIXÃO, todavia, não haverá concertação possível diante da dor, quiçá da raiva ou ódio. Trata-se de uma relação mais visceral e rítmica, que usa a pele, os sons, os movimentos e as mucosas em muito maior quantidade e frequência do que usa palavras e, para ela, não haverá remédios. Pois basta uma palavra ou uma ação que estilhace ou trinque o brilho nesse cristal. E seu final estará decretado. Na política e nos movimentos sociais e culturais, ao contrário do que nas relações íntimas ou pessoais, o fim de uma paixão pode sim preparar um caminho para a compaixão, a paz e o amor reinarem, mais fortes do que nunca. Ou não, segundo o grau da traição e do desencanto.





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