Mais uma vez o núcleo de teledramaturgia da Rede Globo de comunicação aborda a construção nacional desde o período imperial no século XIX. E ali insere a simbologia dos atuais tempos republicanos, que ainda engatinham depois de idas e vindas no século XX, até se entrar nessa atual terceira década do século XXI no início do terceiro milênio depois de Cristo. Fica claro, na narrativa desta novela em curso, assim como se fez em Novo Mundo para o primeiro império, que se falam em cena alguns conceitos propostos para o futuro republicano do Brasil. Mais seriamente agora do que nas fantasiosas estorinhas de Que Rei Sou Eu e do mais recente Deus Salve o Rei. Uma equipe capaz nessa produção, com bons diretores e ótimos atores para cada personagem, acabam por eclipsar o tema central - sobre o nascimento da Nação - para um segundo plano. Pois se percebe que a pretensão é colocar em debate a Gestão Estatal sobre os maneios e a liberdade (liberal ou libertina) da sociedade e, ainda, da economia produtiva. Essa ambição comunicativa da Globo, pela excelência das equipes de criação e arte, acabam submergindo no tema matricial da alma mais que humana demasiadamente humana: a sutileza ainda das relações afetivas, entre gêneros, culturas e raças no tecido da diversidade e, ainda, o papel de cada persona ou indivíduo, nesse seu eterno dilema entre o poder, o saber, o amar e o desejo de se fazer uma real ou efetiva diferença, sobre as sendas e trilhas direcionais do destino e da história.
Selton Mello e Letícia Sabatella estão sublimes sob os fardos de idealismo e esforços na Corte, visando conduzir o Império para um estágio futuro de Nação Confederada e Parlamentarista. Mas logo se vê que os deputados são corruptos, escravagistas ou acadêmicos em excesso, travando toda evolução almejada pelos dirigentes. E esse próprio Poder Imperial, para salvar sua memória e sua Ciência, vende títulos a aventureiros, bem como traz no seu bojo aquela certa duplicidade amorosa, entre as duas mulheres, que compartilhamm entre si tanto o Imperador como a educação das princesas, essasque governarão futuros e demais interesses, tanto os de estado como os de prazeres familiares ou íntimos, todos distintos entre si e herdados de uma nobre preceptora e de uma altiva imperatriz. Onde ficam, então, as mensagens que podem sinalizar para o futuro republicano da nação hoje em dia? Essa narrativa, de interpretações e figurinos tão esmerados, como em outras obras de teledramaturgia, se salva na elegia à soberania das mulheres sobre o machismo nacional recorrente que ainda persiste até hoje, podre, maculando a civilidade do terceiro milênio. As duas princesas e a primeira médica do Brasil com sua irmãzinha são o paradigma das novas gerações, as irmãs imperiais como verdadeiras estatuas, uma da Justiça e a outra da Liberdade, e as irmãs cidadãs na ciência e no amor ingênuo. Como contraponto, há a máscara cômica e burlesca para os núcleos populares em muitas cenas; um particular recorrente nas novelas históricas, desqualificando a moldura do enredo, que se presta a uma boa e muito razoável narrativa sobre os podres poderes da nação..
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