Arte, Ciência e linguagem: em defesa da vida

 


Venho insistindo que linguagem, compreendida genericamente como expressão humana, nasceu da arte no desenho rupestre nas paredes de cavernas, evoluiu para palavras desde os ritmos de sons e vozes, se consolidando então pelos milênios com prosa ou trova até esta nossa primeira "rede social", como estas palavras gráficas desta escrita aqui. Foram etapas históricas registradas na parábola de Babel de "sacras escrituras" e na paródia televisiva do Chacrinha no século XX. Num longo percurso milenar, linguagem humana fundiu ou confundiu conhecimento comunicado em duas vertentes distintas, de negação à arte como sua origem verdadeira: elas se dizem Saber desde os símbolos criados pela fé de criador divino ou pela ciência das engenhosidades humanas, ambos vetores que passaram a utilizar arquétipos, códigos e mitos como arma informacional de poder. Para ser bem claro, simbolismo religioso da fé evidentemente hoje faz ruído estranho na comunicação, por qualquer idioma ou linguagem, pois mescla artes e ciência para perverter a exatidão da mensagem e da informação. Vivemos em pleno momento da desinformação e da Terra Plana. Todavia, a boa compreensão da vida no espaço cósmico é campo que podemos chamar de Universo Divino: conjunto de realidades imutáveis mas capazes de ser conhecidas e medidas usando o simples saber da espécime humana. O conceito divino deveria acabar aí e não mais persistir nas tolas e desamparadas mitologias antropomórficas, cheias de perigosas hierarquias, com linguagem fantasiosa e inverosímel. Na política, sobretudo, a fé e mecanicismo idiomático de mistificação são danosos: criam um ou mais Mitos e dão no que já deu em muitos Regimes Tirânicos do passado, de antigas ou recentes  eras nos lugares e nações do mundo. Trump e Jair são exemplos de onde se estabelece grupos de poder, os quais se fazem hegemônicos, apoiados numa desinformação massiva e criminosa para persuadir suas comunidades, fazendo com que entrem em conflitos permanentes umas com as outras na base, fazendo com que manipuladores mantenham suas estratégias, concentradoras de poder e riquezas para poucos. 


Não há escolhidos nos caminhos e destinos da vida e toda vida é por certo casual, desde um pé de grama ou capim, até um vírus, um elefante, uma árvore gigante ou uma pessoa como você e eu. Porém é soberana cada individualidade nos sopros desta vida. Cada um irá se utilizar dessa singularidade única para dar seus próprios passos, sugar a seiva alimentar ou lançar suas raízes num lugar. Os poderes maiores ou menores de cada ser em relação a outros são razão instantânea para atitudes e capacidades, a cada momento da vida, assim como os trajetos e as escolhas que irá trilhar ou fazer. Onde entram nessas decisões soberanas e individuais as linguagens desenvolvidas desde as artes, símbolos ou catálogos de cunho científico conhecidos? Elas tem significados alguns que são explícitos e lineares, todavia outros bem mais subjetivos, que não são assimilados conscientemente, tais como crenças, mitos e percepções induzidas por milênios sobre as nossas consciências. Há dois códigos de leitura bem legais, em todos os tempos, para as linguagens humanas e sua praticidade de convívio, uns com os outros e, ainda, com demais seres vivos e elementos do planeta. Um deles foi escrito nas tábuas da lei de Moisés, ainda que contestado até hoje por quem ainda empunha armas e comete todos demais pecados capitais contra a vida. O outro propõe a Modernidade Republicana através da obra Ética, escrita por Spinosa. Essa tem  conteúdo que deu fim às inquisições e às violações sobre as tábuas da Lei de Moisés perpetradas na era do colonialismo. Ao tecer axiomas laicos que reverteriam todas condutas perversas do ser humano, já sabidamente identificado como maior ameaça à vida, a Ética passou a ser obra capaz de discernir entre atos comuns que poderão preservar ou destruir a vida no nosso planeta, àquela época já reconhecido como esférico e finito. Clérigos e bispos, assim como Marechais, Generais e Monarcas, nada aprovaram da Ética, adotando somente alguns macetes republicanos para manter sua luta pessoal de poder sobre as vidas e individualidades de cada ser vivo e de cada insumo à vida, como energia, terras, rios e mares.


Em tempos de ameaça à liberdade dos indivíduos, nas democracias republicanas do mundo, há que se resgatar os códigos de Moisés e de Spinosa para discernir o que é ou não justo, naquilo tudo que vem acontecendo e sendo estimulado por autoridades e por desinformações criminosas. Há também que se manter as redes de comunicação e demais empresas privadas submetidas a padrões mínimos de respeito aos consumidores, trabalhadores e usuários, de preferencia consultando sempre as suas reais vontades, sempre e antes de alterar qualquer rotina em serviços ou produtos usados massivamente. Pensem nisso como fundamental à democracia e à liberdade ...  Não existem seres ungidos para pensar e decidir por nós, se quisermos ser livres como cidadãos e assim permanecer.   







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