SERES HUMANOS: delícias e desafios nas artes e ciências de viver ou morrer

As duas postagens anteriores, as fiz em novembro de 2020. Nelas, refleti sobre a pandemia mundial estar sob controle talvez lá por 2022, quando agora os cientistas mais prudentes apontam 2024 como horizonte de maior segurança, estabelecido para vacinação planetária, gerando quem sabe aquela certa euforia de cura, vivida nos anos vinte do século passado, após controle da gripe espanhola. Depois citei doze filmes que, no meu entender, poderiam nos trazer saudável descrédito sobre velhas crenças e ideologias, ainda vigentes nas eleições do ano que passou. Daí em diante silenciei, não sem antes afirmar que fé e ideologia dão frutos quase sempre perversos na história da humanidade: causam soberba, violência e guerra; e, ao contrário, arte e ciência humanas nos protegem desses e doutros dissabores. Mais que isso, afirmei que fé e ideologia mantém pessoas num mundo de fantasia como este atual, total e tolamente irreal, onde alterações climáticas e no habitat, provocadas no modo de consumo da soberba humana podem trazer sempre novos acidentes e resistentes vírus, ou mais agruras sobre o planeta. Quando falei aqui em modelo de consumo, me referi não somente à exploração de bens materiais ou energia fóssil, mas também ao consumo de modismos e ideias estapafúrdias, muitas hoje resgatadas de páginas tristes de um passado já vivido que, ineficiente e ineficaz, iniciou com comédias políticas e terminou em tragédias coletivas brutais, como o holocausto. Afirmei em 2020, enfim, que nosso mundo real vive nas artes e nas ciências, não em palavras de ordem dirigidas ao fanatismo político ou à uma fé episcopal, qualquer que seja. Citei ano passado tristes e recorrentes memórias de Galileu, Giordano Bruno e Spinoza, como “excomunhão do conhecimento e da arte”, quando, neste universo real, hereges seriam os dirigentes inquisidores, trapalhões e fantasistas, porquanto comprometem vidas por negar a realidade e assassinam o SABER, aqui entendido como resultados contidos em estudos de pessoas dedicadas a verdades técnicas e científicas.
Prometi, ao final do ano passado, falar desse laico conceito de Universo Divino muito real, que existe há muito na minha cabeça. Um conceito que se situa nos campos das Ciências e das Artes, assim entendidas na memória da História e das Civilizações humanas. Cumpro a promessa depois de um fôlego, ao início deste ano. Falarei aqui, doravante, apoiado sempre em ideias fundamentadas nas engenhosidades científicas e linguagens artísticas, as quais reputo como a REALIDADE, ou seja, elas seguramente estão fora das fantasias dogmáticas, advindas de fé ou posições políticas, ambas geralmente voltadas e aplicadas à gestão dos rebanhos (animais ou humanos) e dos recursos naturais planetários. Em outras palavras, há aqui neste parágrafo uma abolição de manipulações criminosas. Por enquanto individual e minha. Quem sabe alguém me acompanhe nesse estado feliz de abolicionismo imediato.
Sermos humanos significa um estado de consciência: somos única parte, no mundo animal do planeta, cuja LINGUAGEM própria permite registro, ou seja, acúmulo de informações (ou memória histórica) sobre vidas ancestrais, referentes à esta própria e peculiar espécime do mundo animal. Inicia na arte dos rabiscos de pedra sobre rocha, nas cavernas, e segue até atuais bancos de dados e plataformas mundiais informatizadas. Suas variações idiomáticas ou gráficas de linguagem, entre elas divisas de nações, exigirão decodificações, traduções e outras formas para fins de comunicação entre diferentes tribos culturais planetárias. Pois a linguagem tem, como finalidade, comunicação entre seres humanos. Fora isso, todos dados sem memória temporal (quarta dimensão do espaço) no seu registro se referem a instintos animais de base, como sobreviver, procriar ou outro anômalo (por exemplo, a compulsiva acumulação do esquilo esganado na animação ERA DO GELO). Por fim, há que se lembrar: símbolos como notas, letras ou números são parte bem menor na linguagem humana. Essa engloba também imagens, harmonias e expressões corporais múltiplas e ainda repetitivas como teatro ou cinema, que transcendem danças para acasalar ou abater outros animais.
Na minha trajetória pessoal mais recente, passei por momentos muito significativos – desde estudos e reflexões em Teosofia (FOTO ACIMA DA FUNDADORA HELENE BLAVATSKY DESTA CIÊNCIA) até práticas orientais que culminaram no Butoh, enquanto expressão corporal, por exemplos – para, agora, me arriscar na formulação disso que penso hoje ser o Universo Divino, ou seja, tudo isso que nos cerca ou rodeia, espaço formado por matéria e energia, sob ponto de vista da Física, enquanto área de conhecimento. Diante disso, toda visão antropomórfica de Deus e suas forças angelicais, desde textos Bíblicos até aquela imagem eternizada por Michelangelo no afresco da Capela Sistina, são construções representativas de alguma ordem linguística humana qualquer. Por isso, quando um amigo me afirma ser ateu e me pergunta se eu o sou nem sei o que responder. Eu entendo eles não acreditarem num barbudão superior para além daquela fantasia do Papai Noel. Essa é a infeliz linguagem visual que vem sendo mantida pela maioria de igrejas e ordens religiosas, se valendo de alegorias tão lindas como as de qualquer desfile carnavalesco. O que prezo nesse conhecimento são textos e subtextos escritos na História Humana. Por isso li e reli textos bíblicos, duas vezes em sequência, como romance da humanidade, e noutras em pedaços, segundo temas ou episódios de interesse simbólico específico. Toda linha pode e deve ali ser interpretada, como qualquer verdade narrada ainda o é, a cada dia, por todas as testemunhas, repórteres e narradores de todos os tempos. Até advento idiomático e de grafia alfabética no hebraico, como idioma entre tribos de Babel, as arcas de narrativas eram em grande parte mantidas por desenhos ou hagadás sobre atos históricos, que seriam bem adiante comentados e narrados por textos numa outra nova linguagem e visão. Mas esse conhecimento transcendia as narrativas históricas e se confundia ao conhecimento daquele exato momento, à ciência e arte vigente, isso até a idade média e início do segundo milênio cristão. Onde se desenharam novas reformas sobre o cristianismo, acrescidas de um e outro valor fundamentalista de linguajar maometano. Somente no iluminismo pós inquisições, se estabeleceu o conhecimento laico, fora da esfera religiosa das igrejas em geral. Dali nasce, desde a arte sensível da alma humana e desde a ciência dos hereges, esta visão do Universo Divino a que eu me arrisco atribuir toda referência de Ordem Sagrada sobre fatos palpáveis do cosmo e da presença mágica deste animal pensante e curioso que somos neste planeta.
Como BLOGueiro reassumido, proponho, desde as considerações aí no parágrafo anterior, reiniciar este ano uma série de DOZE ensaios, lhes trazendo comentários sobre assuntos onde penso deter vivências. São já recorrentes em meus textos e rabiscos; como temas que a mim sempre comoveram e certamente me comoverão. Talvez também a alguns de vocês. 1. TERRITÓRIOS HUMANOS: CIDADES E ASSENTAMENTOS 2. INDIVÍDUOS, TRIBOS, SOCIEDADES E UNIVERSALIDADES 3. SÍMBOLOS, IMAGENS, PARTITURAS, SONS, TEXTOS E PALAVRAS 4. PERTURBADORAS FRONTEIRAS ENTRE CRENDICES E SABEDORIAS 5. DE INÍCIO ERAMOS CORPO DE MASSA E ENERGIA, SÓ DEPOIS VEIO O VERBO 6. UNIVERSO DIVINO COMO SUCEDÂNEO DO DEUS ANTROPOMÓRFICO 7. HIERAQUIAS PATRIARCAIS ENTRE DIVINDADES PAGÃS E NÃO PAGÃS 8. ARRANJOS HUMANOS CONTINENTAIS ÉTNICOS E CULTURAIS 9. TODAS QUESTÕES DE GÊNEROS E CONGÊNERES ENTRE PESSOAS 10. ORGANIZAÇÃO E DESORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES E DEMOCRACIAS 11. PROTAGONISMO E PACTUAÇÃO DE TRILHAS POR DIÁLOGOS GRUPAIS 12. VIDA HUMANA ANIMAL E AMOR AO TERRITÓRIO DO ASSENTAMENTO
O melhor pensamento nunca é dual, mas triangular. Dois triângulos iniciam, desde a estrela de Davi, registros na história humana. Esses dois triângulos fazem seis outros nas pontas e mais seis iguais no miolo hexagonal, como nos doze signos do horóscopo, desde equinócios solares. São quatro os triângulos no volume geométrico mais elementar, o tetraedro.

Comentários

  1. Seu blog deveria servido por todos. Nos faz raciocinar como podemos ter um planeta melhor. Meus cumprimentos e agradecimentos Cláudio Menna!

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