PLANETA TERRA PÓS PANDEMIA – parte III: lugares e pessoas do novo mundo

Antes de tudo, vamos deixar muito claro que o termo Pós-Pandemia, para nós, aqui neste espaço de reflexão, se refere a tempo futuro, quando esta pandemia estiver controlada e após as vacinas estiverem aplicadas massivamente e essa prevenção então já estiver sido devidamente aprovada como instrumento eficaz para um efetivo controle do novo vírus, o que provavelmente poderá ocorrer por volta do ano 2022. Estivemos portanto falando do futuro que, de antemão, já podemos ir construindo, desde já e aos poucos, sob alguns novos formatos que resgatam certos valores conhecidos, como diálogo e relações comunitárias de vizinhança; ou outras novas práticas (ou velhas renovadas) para um projeto republicano e de modernidade democrática, o qual nunca de fato chegou a se consolidar do Iluminismo até aqui. Pois se ele estivesse sólido, não teria sido desmantelado como foi nesta segunda década do milênio. Distanciamento social e medidas recentes de isolamento e prevenção na doença viral, pela ansiedade coletiva que nos provoca, vêm fazendo com que sinais de estabilização ou patamar, na estatística da doença, represente uma espécie de final para esses cuidados, para desavisados entendido como martírio, castigo divino ou mera visão pessimista. Em outras palavras, estão cegos esses que imaginam já estarmos vivendo os tempos libertadores da pós-pandemia. Como o controle se dará bem mais adiante, não há porque não iniciar já uma nova realidade, que evite novos desastres. E praticarmos por aqui, neste blog e em todos os lugares, as necessárias reflexões sobre a saga humana no planeta, para que saiamos em definitivo dessa direção atual, que há muito caminha para doenças humanas no planeta terra e quiçá para sua extinção futura, ainda sufocada por toxinas e matérias petroquímicas de usos, despejo e manejo inconsequentes. O título deste último e provocativo ensaio - sobre tempo futuro de pós-pandemia (lá por 2022, repito) - propõe pauta sobre a NATUREZA DA ECONOMIA humana, como tema para resgatar projeto de Democracia e de Modernidade, nascido lá por volta da Revolução Industrial no século XIX, o adequando à esta atual Revolução Cibernética ou Informacional, a qual ainda está em seu processo de renovação sistêmica e estrutural, durante toda esta virada de milênios.
Dito isso, penso que nosso primeiro exercício, para mudar este mundo adoecido, começa já agora e aqui, por dentro da natureza que existe em cada um de nós. E se inicia se pudermos examinar o seguinte, com respeito ao nosso próprio desejo pela normalidade: vamos de fato resgatar esse passado tão recente ou aproveitar para o alterar e aprimorar, mudando aquele velho cotidiano, atualmente ainda sob impedimento e sobre o qual ainda suspiramos com saudades e nostalgia? Conseguiremos por acaso reviver nosso cotidiano nos mesmos moldes em que ele foi por nós vivido, antes deste mascarado distanciamento e isolamento social, exigido pelo contexto na pandemia viral? Canso de ouvir falarem e escreverem que “não vejo a hora de voltar à normalidade”. Todavia ninguém explicita qual é a parte daquela sua antiga normalidade peculiar que vem lhe fazendo falta, e qual rotina ou cotidiano ou medida existe para essa atual saudade de sua antiga rotina; ou sequer quais eram os valores que se davam para essas ou aquelas práticas, que hoje tanto estão faltando. Eram elas assim tão boas e saudáveis? E, sobretudo, se as rotinas ou o normal de cada um é o padrão para todos e se essas práticas respeitavam as diversas individualidades alheias de normalidade, cujas concepções e visões possam ser diferentes ou quem sabe mais sustentáveis que a sua. Pessoalmente eu vejo algumas rotinas e práticas minhas (e também de familiares e pessoas muito próximas a mim) que serão provavelmente inadmissíveis no futuro, diante da nova realidade dos contágios que essa recente, aderente e pegajosa geração viral nos traz. Nossos tão recentes e maravilhosos megaeventos, realizados como grandes espetáculos artísticos ou esportivos para multidões, talvez fiquem como registros de imagens, entre lembranças passadas, para se contar aos netos. Da mesma forma, fazer novos amigos em festas ou mesmo carinho e intimidades casuais, sem que se saiba a rotina e ambientes vivido pelo novo indivíduo que nos atrai, passará quem sabe também a ser uma atitude bem temerária. E isso observo com certa tristeza, sem qualquer visão eleitoral, moral ou religiosa.
Em que direção se dará nossa mudança individual de atitudes? Certamente essa será uma alteração que não terá cunho religioso ou filosófico profundo, ao meu ver. Pois ela poderá sair de uma simples nova pauta para a NATUREZA DA ECONOMIA, que é relação produtiva e funcional dos seres humanos, como espécie, com os recursos naturais do planeta terra, em outras palavras tirando dele produtos necessários para vida cotidiana de todos nós e de cada um. Criar essa transformação começa por alterar tradicionais campos políticos de decisão sobre os elementos naturais, devolvendo ao agente consumidor e ao trabalhador seu ofício, dentro dos diversos sistemas produtivos atuais. Operários e camponeses com um novo papel republicano, mais amoroso e não mais guerrilheiro, adotando ele rotinas mais saudáveis e novas, doravante, em todos passos e processos necessários para fabricar beneficiar o adequar a produção sem mais matar a terra e ar, que são a “galinha dos ovos de ouro” para a humanidade. Essa democracia mais plena promoverá e fará as necessárias mudanças, efetivas e reais, na produção, as quais já estavam se tornando, há muito e mais ainda agora, a cada dia que passa, mais e mais urgentes e inadiáveis. Aqui também trarei s exemplos de mudança: racionalização de embalagens, rotulando suas formas de despejo e um transporte com alcance mais racional para distribuição desses produtos, desde a forma dos assentamentos humanos, compatíveis às plataformas de consumo e de produção em itens como alimentos, moradias e hábitos culturais. Numa relação produtiva que inove nas noções de espaço e tempo, toda matéria petroquímica remanescente se tornaria piso em caminhos impermeáveis lineares, onde itinerários de produtos e de trabalhadores poderão se encurtar. Ademais toda riqueza será medida pela quantidade de alimentos sem toxina, dos saberes adquiridos e das arte efetivamente consumidas e não mais por indicadores dados na extração dos produtos ou na movimentação monetária dele obtida.
Nesse novo cenário também e sobretudo o setor terciário - comércio e serviços - se aproximará dos seus consumidores e trabalhadores, flexibilizando atos no seu poder decisório e, sobretudo mitigando distâncias de hierarquia e nos tráfegos urbanos. Aqui uma simples e livre leitura sobre a possível mudança na natureza da economia, desde outras ou novas atitudes do consumidor e do trabalhador, que assumirão responsabilidade no trato do planeta, via posturas sociocultural de respeito à vida, visando resolver saúde e conflitos desde decisões hoje mal conduzidas, extraídas de indicadores errados na cultura produtiva, uma base de dados que não usa e desconsidera diálogos. Nossa economia encalhada passou a ser mal pensada e ficou extremamente individualista, antidemocrática e predatória. Busco aqui resumir a imprescindível universalidade de toda produção, para que, no futuro, leve em conta diálogo e democracia, durante todas suas futuras trilhas, tramas e dramas. Reis e divindades contemporâneas do monetarismo e do patrimonialismo me perdoem. Mas tal éter abstrato de economia virtual começa a desmoronar a partir dessa pandemia viral de hoje. Começando pelos mercados de futuro, nas Bolsas de Valores mundiais, Pois nenhuma vida virtual poderá se eximir da vida natural. E penso que nenhuma economia realista voltará a se basear em abstrações num futuro próximo, O segundo exercício para construir esse futuro em breve é: nós mesmos ou cada cidadão eleger seu lugar de viver e seu grupo afetivo de conviver em forma presencial, pela necessidade natural de dominar sua própria e peculiar bolha sanitária. E isso não é uma imposição: as cidades historicamente ganharam sua identidade por esse SENTIDO DE LUGAR, dado pelos hábitos cotidianos do seu cidadão e que conferiu, a cada local e localidade do mundo, um caráter e uma cultura peculiar. A fisionomia de um povo tem como base essa sua feição popular, intimamente ligada ao lugar e convívio cultural de grupos pequenos, de certo modo parceiros íntimos, capazes de juntos cantar e dançar. É simples assim. Volto, por fim e abaixo, para o parágrafo que deu início para nesta trilogia, desde o mês passado.
No início era o verbo (em sentido bíblico) ou a energia (em sentido científico). A árvore da vida teve essa origem, isso desde fungos, vegetais e animais. Há dez milênios inicia estágio civilizatório (vida em cidades/civis, copiada de insetos) na evolução do animal humano, o único nessa prática entre os mamíferos, que acabaram rendendo, a nós primatas, cérebro progressivo permanente, desde desenvolvimento da linguagens e dos mercados de troca, para manejos sobre o planeta. Muitas vezes iniciei aulas de Urbanismo com meu desenho acima, eternizado inclusive numa publicação organizada, em São Paulo, na FGV Fundação Getúlio Vargas com a Oficina Municipal, entidade parceira da Fundação Konrad Adenauer no Brasil. Através desta ilustração, eu explicava o cidadão primitivo ter saído de hábitos nômades para iniciar nova vida sedentária em vales como esse do desenho, onde cursos d’água corriam em direção a uma enseada, ao mar ou grande rio. Esse nosso ancestral havia apreendido a plantar e pastorear com os animais e aves que lhe seguiam o rastro, pelos resíduos alimentares que iam deixando, em trilhas de coleta e caça, a cada paragem. Em solos férteis e perto das águas se assentaram para plantio e pastoreio, em pequenas tribos ou em tendas patriarcais. Essas permaneciam afastadas entre si. Gradualmente, membros de cada tribo ou tenda começam a procurar e interagir com outra tribos e tenda, visando sobretudo trocar excedentes de produto, utensílios ou, ainda, algum familiar em período de acasalamento. Nos vales e a jusante do curso d’água principal, uma confortável ravina acaba por se tornar um ponto de encontro para as trocas, que iniciavam após cada colheita ou sacrifício e descarne de animais. Esse lugar pacífico era visitado por todas ou várias das tendas patriarcais, um espaço territorial que vai tomando forma fixa de aldeia, algumas áreas cobertas com local natural para trocas e escambos dos habitantes no vale. Isso geraria e faz evoluir três elementos sistêmicos para a civilidade: depósito de produtos, guardiões do depósito e um templo. Cada um desses espaços avançaria em muitas outras direções diferentes. Nesse último – o templo - linguagem e ciência irão se desenvolver, no início por grunhidos ancestrais, avante em linguagem para acumular saber e dar hierarquia a inovações, que nos afastariam da animalidade. Esse espaço deixou de ser mercado com Cristo e mais de milênio depois deixou de ser academia na profunda reforma cristã. Claro era que, na aldeia, o espaço de depósito faria a riqueza se acumular e mediar vantagens de uns sobre outros, sob o desafio para conservar e medir valores entre riquezas, artefatos armas e produtos. Claro também que os guardiões iriam se armar e subir ao promontório acima da ravina, para de lá vigiar e proteger toda a aldeia contra assaltantes e dragões. Claro que a ordem política se daria sobre esse tripé. Até vários vales se encontrarem no rio maior ou à beira mar, para além do vale, lá surgindo maiores praças e lugares edificados numa grande cidade, unindo então tribos de Israel ou as da Babilônia, com Salomão ou Nabucodonosor, porta-vozes do Conhecimento das Armas e dos Deuses.

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