Sobre Amor e Compaixão: desapegar, desprender e desenvolver

Nós refletimos em nossos espaços interiores, ou seja, no espaço orgânico e físico do nosso corpo, tudo aquilo que existe lá nos corpos do universo cósmico, no universo planetário, no universo continental, no nacional, no regional, e no universo da cidade onde vivemos e do nosso bairro. Mas há também várias dimensões nessas todas existências em variadas e diversas escalas de espaço. Assim como, dentro de nós, há uma dimensão física de ordem material e corpórea, uma dimensão emocional de ordem cultural, outra racional de ordem informacional, uma quarta dimensão é a etérea, de ordem genética que costumam chamar de “carma” e, por fim, a mais discutível delas que á a dimensão espiritual, de ordem metafísica que, aos materialistas, lhes parece como parte mais subjetiva ou intuitiva entre as crenças e convicções que nos conduzem, sobretudo em decisões muito delicadas, onde nenhuma das dimensões anteriores consegue resolver. Seguramente energias do universo, situadas fora e dentro deste nossos corpos, não configuram deus barbudo com exército de anjos, assim como representado no advento do monoteísmo, em linguagem da época. Mas há sim certa ordem no que costumei chamar de Universo Divino, a qual habita em toda dimensão da minha, sua e nossa vida. Sinto esse calor e sopro vital dentro de mim e você também. Por isso se diz que cientistas são íntimos dos mistérios divinos, de vida e morte, nesse universo e nas suas diversas dimensões. 

Quando amamos alguém, especificamente (e aqui me refiro a romance ou libido), se estabelecem vários fenômenos relacionais entre dois universos com status quo distintos, simplesmente porque não há unidades iguais na vida, sequer entre gêmeos siameses. Almas gêmeas, portanto, não é um conceito mas é simples termo poético, para pessoas semelhantes ou bem parecidas, que possuem muitas afinidades. Por essa razão, em laços e nos encontros amorosos sempre ocorrerão momentos de decisão, às vezes ocorrerão vários deles durante a relação ou, pelo menos, um: aquele em que você analisa a situação e, afinal, observará se, através desse amor, irá ou poderá evoluir, seja se encontrando ou se perdendo de si mesmo. E há somente essas duas alternativas, viver ou morrer de tanto amor. A cultura contemporânea dominante direciona para a autopreservação, mesmo que endureça, não aceitando mudanças em si mesmo, impostas pelo amor em uma nova relação.


Será por aí o caminho para sobreviver e viver, segundo e de acordo com as energias do Universo Divino? Nessa linha, a sociedade humana caminha para apartheid e solidão. Todas diferenças impõem desprendimentos para que se firmem pactos com doses de desapego e compaixão. Se soubermos e aprendermos a nos encontrar e a nos perder numa só relação amorosa, seja ela entre amantes ou parentes, podemos fazer isso também para uma relação social ou para muitas relações comunitárias no decorrer de toda a nossa vida. Desapegar com desprendimento é escolha onde não cabem a covardia, medo e ódios; esses logo desaparecem numa linha de atitude e de conduta onde a única questão é se abrir ao diálogo, se envolvendo de fato e em paz com os outros, em certas ocasiões e momentos, para então negociar, de fato e de direito, os pactos e compromissos necessários para a vida em cidades, no cotidiano e na atualidade.  

A vida humana já é muito vulnerável. Nada justifica fomentar intolerância e luta para manter nossas vidas imutáveis, incapazes de se adequar a fato novo e a mudanças. Há que se fomentar mais desapego e compaixão: pois o desprendimento das pessoas em grupo é o principal pilar para contratos e pactos, republicanos e democráticos, no desenvolvimento sustentável, já firmado como metas comunitárias para este nosso Terceiro Milênio. Só assim construiremos localidades e comunidades inclusivas, sem essa visão restrita à uma pátria no umbigo de cada um, onde não cabe nunca sequer o olhar alheio, dos vizinhos e concidadãos ou, até mesmo, de familiares.



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