Penso que no atual momento da
pandemia as pessoas, em sua maioria e finalmente, olham também para os lados e
não mais somente para seu universo pessoal e familiar de constelação. Essas
máscaras na face pelas ruas, nos dão enfim certa consciência de que, seja quem
for o vivente, estamos todos na mesma
nau e que, juntos, habitamos realmente mesmo e único planeta. Há,
entretanto, certa resistência em despolitizar tal situação, tendência que procura
culpados pela mesma e que acusa ciências e medicina, por exemplos, como fossem elas
as profetas a anunciar fim dos tempos e, assim, nos tirar ou comprometer os mais
caros e cotidianos pequenos prazeres da vida. Ouvindo leitores de minha
postagem anterior neste blog, bem no pico das visitações, escutei reações
assim, como se eu tivesse perfil fatalista da minha geração - rebeldes nos anos
60, pintando o presente e futuro de ácido pessimismo. Ouvi contestações de atuais
jovens amigos e senti o velho fenômeno, hoje renovado, do apartheid por ageismo:
eu sendo o grupo “de risco” a impor mudanças no cotidiano dos imunes, os quais,
por sua vez, teriam livre arbítrio de manter práticas e preferências dos
prazeres e hábitos todos anteriores à pandemia. Por isso, alerto já aqui que
não inventei a pandemia ou essas ameaças climáticas de agora. Em tempos de
notícias falsas, tudo se torna perigoso. Todavia, penso que o projeto
republicano da modernidade, veio sim para ficar e se criar: e que, doravante e por
questão de sobrevivência mundial, manterá as linhas de gestão pública democrática nos Estados Republicanos, que visam a inclusão
efetiva de grupos humanos e culturas ainda marginalizados e ainda pouco
considerados nas ações de governo. Já não cabe mais a embromação de defender nichos de privilégios aristocráticos ou
episcopais, entre os heterogêneos seres humanos por gêneros, raças, aspectos,
hábitos, culturas ou modos de pensar e agir diversos.
Pelas Eleições deste ano, em tempos
de pandemia ainda ativa e sem vacinas ainda, os candidatos eleitos serão
responsáveis por Gestão Republicana no local onde moramos. A cidade é lugar
onde civilidade e urbanidade se manifestam ao longo de toda História da
Humanidade, desde os tempos da Babilônia e do templo de Salomão. As leis locais são as mais importantes na
qualidade de sua vida e na relação com sua comunidade e com seus vizinhos,
amigos, colegas de trabalho e familiares. Meu voto é facultativo mas será em
candidatos preparados da nova geração, ambos comprometidos com leis locais para
inclusão e cidadania, em temas como mobilidade, saneamento, habitação e regras
urbanas sob princípios e leis emanados da Constituição Brasileira, tais como as
regras ambientais, Estatuto da Cidade, Estatuto da Metrópole e Estatuto da
Terra.
Por isso não se engane: as eleições deste ano são municipais. Lembre daquilo tudo que você já percebeu ou que já sabe muito bem e há muito tempo como realmente funciona: governantes locais – prefeitos e vereadores – não decidem diretrizes para Educação, Saúde e Segurança; muito menos para justiça social e progresso econômico. Toda norma e recurso para elas cinco virão de regras e inversões estaduais e federais. Basta aos governantes locais que eles sejam eficientes e mantenham equipes profissionais que atendam a orientação e as regras vindas dos Conselhos e agências fiscalizadores próprios, em cada uma dessas cinco áreas respectivas. Para elas, o mais importante em governantes municipais fica por conta da sua capacidade de acompanhamento e de representação. De outro lado e de forma contrária, porém, são determinantes tanto os vereadores como o prefeito para todas as coisas que ocorrem na qualidade aí nos espaços da sua cidade, tanto nas áreas já existentes e urbanizadas como também nos distritos, áreas rurais e, ainda, linhas ou parques naturais. São quatro as áreas de competência, no setor público, onde as prefeituras têm toda autonomia para nos fazer, a cada um de nós, cidadão muito mais ou menos feliz: Mobilidade, Habitação, Saneamento básico, e Desenvolvimento Urbano Integrado. Esse último item, hoje em dia, em cada município recebe nomenclatura variada, mas suas regras se estabelecem pelo Plano Diretor, que é lei complementar decenal à Lei Orgânica Municipal como prevê a Constituição Nacional. Esse Plano Diretor define todas forças de competência e esforços, no estilo próprio da cidade, para o caráter cultural peculiar do município, refletindo nele os desejos das comunidades diversas, bairro por bairro, agrupados por região urbana ou distritos rurais ou, ainda, por setores de atividade ou de interesse coletivo. Explicarei neste blog e na próxima postagem, o que pode um PLANO DIRETOR MUNICIPAL definir para trazer adequado progresso à sua cidade, com ambiente mais desenvolvido, humano e saudável. É muito importante que o Plano Diretor defina e explicite os pactos, entre todos os segmentos da população, para o próximo período de dez anos na cidade,




Meu problema é no meio da situação, ser sua esposa, kkk ... Mas dessa vez quero salientar e agradecer. Aqui você me ensinou mais uma vez. Particularmente, verificava planos dos candidatos e vejo quantas promessas todos os dias. Enfim, sempre quero ouvir planos reais e com possibilidades. Mas você Menna, esclarece nesse texto, "simplifica", me fez pensar no candidato para o povo em todas suas esferas. Valeu !
ResponderExcluirObrigado, querida. Tentei demarcar a esfera municipal de decisões e como competências fora das políticas básicas gerais. Que bom ter esclarecido isso um pouco.
ExcluirEleição dificil a deste ano. O foco dos candidatos, por enquanto aqui em CW, é combater o Greca como condutor do municipio na pandemia...transporte público principalmente. Não vejo programas reais. Participei de fio a pavio do novo -na verdade já velho- plano diretor. É lamentavel como a população não participa e fica a merce de interesses vários . As audiências na Camara Municipal são "para inglês ver", como todas aliás. Teremos uma eleição com 2000 candidatos a vereador que, na maioria, só são candidatos sem programa para ajudar com seus votos( que não o irão eleger na soma dos votos que o partido precisa para eleger um ou mais vereadores com essa piada enganadora do povo que é o coeficiente eleitoral e garantir um boquinha depois , algum cargo de confiança para si ou para sei lá quem,,ou alguma facilidade de acesso que seja . É premente um sistema eleitoral com voto distrital misto.
ResponderExcluirObrigado por voltar a me acompanhar nestas reflexões, amigo ! Vou citar você num novo texto, no início de outubro, pois em Curitiba o novo eleito irá de novo revisar o Plano Diretor e, sobre isso, estarei com modéstia comentando. Candidato a vereador um para cada mil habitantes é muito. Sou mais radical que você e seu voto distrital: prefiro eleições indiretas desde delegados comunitários, até mesmo para cargos de prefeito ou city manager, xerifes e juízes; na nação um parlamento enxuto indicando um premier, mas podendo supremo vetar o nome e derrubar parlamentar que não cumpra a carta magna.
Excluir(que não o irão eleger)..na soma dos votos etc...
ResponderExcluirDe qualquer modo, qualquer sistema pode ser manipulado se não houver políticas que eduquem para os princípios básicos de livre arbítrio, republicanos e democráticos, e da carta de Direitos Humanos. Acho melhor e mais fácil pro cidadão comum eleger olho no olho um delegado de bairro e quarteirão para o representar nos assuntos políticos da sua regional Urbana. Assim ele irá protestar diretamente batendo na campainha da casa do seu delegado, esse lá na regional distrital e assim por diante. com ou sem siber espaços, nada como relações presenciais olho no olho mesmo que em vídeo.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirBom dia meu caro amigo Menna.
ResponderExcluirQue leitura formidável para esse momento. Realista demais para alguns candidatos que tiram coelhos da cartola, não sabem o que é uma LOM e um Plano Diretor.
Eu consideraria ainda um elemento fundamental nessa questão. Em tempos de polarização, é primordial que além do conhecimento, não prometer o que não vai cumprir e não prometer aquilo que não é competência do cargo que estás concorrendo, tem a questão da política feita com base em evidências.
Utilizando a pandemia como exemplo, é possível vermos erros grotescos nessa questão, tanto de um lado quanto de outro. A pandemia virou palanque e de divisão entre "esquerda" e "direita", e os dados científicos estão sendo sempre deixados de lado, inclusive por políticos que deveriam dar o exemplo.
POLÍTICAS PÚBLICAS COM BASE EM EVIDÊNCIAS. Aprendi que enquanto agente público, a questão ideológica é a última a ser consultada na hora de votar um projeto. Isso na formação do RENOVABR, que me selecionou entre mais de 31.000 brasileitos que se inscreveram para poderem participar, de todas as regiões, raças, credos, gênero, orientação sexual, idade, cores, culturas diferentes. Com essa diversidade de pessoas, tivemos a experiência de cada um estudar a sua LOM e seu Plano Diretor. Bem como a constituição do estado de SC e a Constituição Federal. Além dessa questão, tivemos aula sobre a história da democracia, economia, educação, saúde, segurança, sustentabilidade, equidade, políticas de resíduos sólidos, empatia, espaços e equipamentos públicos, qual a competência do executivo e do legislativo no âmbito municipal, cidades inteligentes, mobilidade urbana, enfim, todas as disciplinas fundamentais que qualquer candidato deveria saber.
Tenho orgulho de ter me preparado e hoje poder dizer que me sinto qualificado para fiscalizar, representar e legislar e gostaria de agendar uma conversa contigo e com sua família, para trocarmos experiências e podermos falar de política municipal.
Um grande abraço.
Marco Ferrari
Tivemos que excluir outras cópias do mesmo comentário. Vamos agendar para seu contato com familiares após a eleição, pois todos temos títulos em outras cidade e aproveite sua agenda para estar e contribuir no Legislativo de BC, no discernimento normativo e na fiscalização do Poder Executivo. Muito sucesso, amigo !
ExcluirEste comentário foi removido por um administrador do blog.
ResponderExcluir