A
palavra informática sintetiza o conceito de automatizar a informação, ou seja, trata
da “palavra automatizada”, mecaniza o verbo
no seu sentido bíblico, de origem civilizatória milenar para evolução humana sobre
o planeta. Passagem bastante conhecida na Bíblia, mais antigo de todos os
livros, é a parábola da Torre de Babel. Sobre isso já escrevi na postagem
anterior deste Blog. Naquela narrativa ou passagem, quanto mais uma torre
crescia, na direção do céu, menos se entendiam homens entre si durante a construção.
Aquela citação culmina quando surgem diferentes idiomas, tribos e nações com
linguagens diversas, condenadas a não ter projeto conjunto, união e sequer um
mesmo entendimento da palavra, verdadeiro castigo pela alta pretensão à
divindade. Algo semelhante ao atual desentendimento entre pessoas: cada cidadão
reduzido a uma individualidade solitária, radicalmente exposta na fábula
cinematográfica do filme HER (ELA em português), mesmo ator que protagonizou outro
emblemático e doente personagem no cinema, o Coringa.
Na
primeira frase do parágrafo acima, falei em evolução humana. E de que tipo de
verbo e de evolução estamos dispostos a falar? A do espírito humano, da alma
das pessoas, é essa que deve nos interessar e não a do progresso financeiro,
material ou tecnológico, ainda que muitos entendam ser esses a pautar evolução na
moderna ou pós-moderna civilização atual. A mais velha de nossas antropólogas
revelou recentemente ser para ela um fóssil humano com membros inferiores calcificados
marco inicial da Humanidade, evidência que aquele primata humano foi cuidado
por outro, quando nem podia se mover para buscar seu sustento. Quem não
concorda que isso é espírito humano em
evolução não siga esta leitura. Neste blog não acreditamos no espírito como
fantasma e sim como capacidade de solidariedade, amor, afeto, paixão ou
compaixão. Avanços no ferramental e instrumentos, desde as Eras da Pedra,
Barro, Fogo, Metal e outras até estes da Cibernética, nada servem se não elevam
e fazem transcender o espírito humano, nas suas capacidades de sentir, por processo
de crescente e elevada empatia, a realidade dos demais seres vivos, na Vida
toda do universo divino, Vida que se faz intercalada no tempo e interdependente
no espaço. E linguagem aqui é citada enquanto criação primordial para convívio entre
seres humanos, com a finalidade usual de fazer fruir e alimentar esse convívio
entre as pessoas. Portanto, é palavra chave a convivência entre individualidades
diversas e heterogêneas.
Voltando
ao parágrafo inicial, quero colocar em debate aqui três questões sobre o
cenário de hoje, enquanto Comunidade, Sociedade
e Cultura em consolidação, desde crescimento nas interatividades humanas
através de redes sociais e meios cibernéticos de informação. Digamos assim, tentarei
narrar tudo que percebi entre Orkut, email, face book, instagram e congêneres,
naquilo que já há de alteração e tendências comportamentais manifestas nas
pessoas, ao menos desde aquelas com quem lido, entre parentes, amigos,
conhecidos ou meros contatos, alguns restabelecidos com pessoas que conheci
muitos anos atrás.
1ª
Bem daí sai minha primeira questão: existe hoje recente hierarquia em consolidação para relacionamentos humanos, nos ciberespaços de interação social?
Minha geração tinha contatos familiares, profissionais ou institucionais com graus
diversos de intimidade, ou seja, hás uns trinta anos atrás, amigos de clube ou
igreja e colegas legais de trabalho, pouco sabiam das minhas rotinas domésticas
e das minhas alegrias e tristezas com filhos ou parentes. Aparentemente, hoje
todos meus contatos sabem muito mais ou quase tudo de mim, todavia eles se
mantém hierarquizados na classificação e conectividade da rede, mais ou menos pela
afinidade das escolhas, muito menos pela intimidade. O agrupamento em
comunidades, assim, estaria passando a ser gerado mais por interesses informacionais
do que por graus de afetividade? E onde
se situariam intimidade individual ou ética a cada grupo, nessa nova moral? Em
outras palavras, as afinidades andam mudando de lugar; e se descolam cada vez
mais dos convívios reais, ou seja, das convivências num mesmo espaço material de
vida ou num mesmo campo de crenças imateriais. É possível afetividade sem
determinado espaço material ou imaterial? Esse novo ambiente relacional usa
linguagem sintética e idiomas dominantes que se mesclam na linguagem ou dialeto
coloquial do lugar e da região onde está situada cada cidadania e sua cultura
peculiar. Em suma, critérios de afetividade se resumem a liked e categorização
funcional de amigos e amores pela rede.
2ª
Outra questão informacional bastante recente é o excesso de visibilidade desse
infinito planetário, não somente na quantidade de informação sobre tudo dos
objetos e todos de indivíduos, mas também dos lugares a cada canto do planeta e
até mesmo deste universo cósmico. Sabemos que nosso lugar de viver ou habitat
faz parte de nosso ser e da noção que fazemos de nós mesmos e de nossa
cidadania até mesmo afetiva, o que é documento na identidade legal a na conexão
entre paternidades lugar cultural onde viemos ao mundo. Dados como esses é como extensão do corpo
para cada um de nós, extensão essa que vai se ampliando no ambiente comunitário:
bairro, condomínio, vizinhos e local de trabalho por exemplo. A rápida expansão
de nosso corpo funcional à totalidade do cosmo e a sete bilhões de pessoas na
sociedade humana, dada na internet, acaso não nos joga totalmente para longe de
nosso espaço interior, de reflexão amorosa e espiritual? Nesse novo imenso
espaço social, somos mais invisíveis
e estaríamos a mercê de doutrinas ou crenças alheias à nossas raízes culturais e
afetivas. A percepção corporal em expansão para cada indivíduo poderia promover
sua retração na direção da fantasia cinematográfica de HER e Coringa? Ou seja,
a noção de comunidade e de vizinhança não mais se dá por afinidades culturais e
ou assentamento coletivo regional por exemplos; o grupo se dá no interesse de
consumo, revestido de embalagens artísticas e culturais, empacotadas essas como
sanduíches. Vida espiritual ou solidariedade sustentável para com vida alheia
em risco, talvez?
3ª
Como última questão preocupante vejo, na acelerada informatização sobre as
rotinas humanas, crescente e danosa desconstrução de muitas das noções normativas
muito bem sucedidas, que há pouco tempo atrás ordenavam a vida das pessoas no
ambiente cívico de cidades, campo e mares. Havia ordenamento político-cultural da
sociedade e da produção, trazido do iluminismo e do sistema racional construído
no século XIX (pouco mais de cem anos) no
projeto republicano, que balizava pactos e negócios entre os indivíduos,
grupos, cidades, comunidades e nações. Três guerras no século XX fizeram a vida
republicana se fixar, progredir e aprimorar, até se chegar às atuais tecnologias
de democratização, como é a Informática, lado a lado com a noção corretiva do
Desenvolvimento Sustentável, onde se provam facilmente as fragilidades e
interdependências da vida humana sobre o planeta, que não admitem desrespeitos a
demais vidas da natureza planetária no universo divino. O fato é que normas,
realizadas antes na organização dos estados republicanos, tais como as leis,
meios administrativos e critérios de convivência, estão migrando para as operações
informacionais, vindas de gabinetes fechados e tecnocráticos, sem que a comunidade
e a cidadania, por comitês locais ou parlamentos, discutam previamente essas novas
regras ou rotinas; a ponto de que hoje elas, per si, já promovem ou reprimem,
mantém ou cortam as iniciativas, podendo mesmo eleger governos ou desgovernos
nas nações.
Penso
que muitos sonhos humanos poderão morrer, com reflexos danosos que afetarão corpo
e alma das pessoas, caso a vertente consumista - patrimonialistas e monetarista
-, que ágil se apropriou da informática, mantenha maior domínio sobre a antiga original
e democrática Tecnologia da Informação, bem como sobre os critérios ecológicos
quanto ao Desenvolvimento Sustentável. Esses os maiores avanços com vistas a que o
terceiro milênio venha consolidar o Projeto Republicano. Pois entendo que não
existem pós modernismo ou neoliberalismo e ainda coisa nenhuma republicana. A
real modernidade, com sua democracia plena, está ainda por vir, para ancorar o Projeto Republicano, pois liberalismo não é espoliação de um indivíduo sobre outro ou de uma nação sobre outra. O projeto republicano humano veio para acabar com feudalismo, Reis, Monarcas e Imperadores. Veio para incluir
na cidadania a opinião dos servos, das mulheres e de todos, absolutamente todos. Dalí – da reunião de vizinhos e moradores em lugares, debatendo entre si - nasceram noções localizadas da
democracia; e dos direitos trabalhistas e dos deveres para agente produtivo se compromissar com responsabilidade social e ambiental, atendendo seus consumidores e seus colaboradores com humanidade.
Sim, portanto, é para aprimorar essas cerca de duas centenas de Estados
Republicanos no planeta Terra. Cabe a eles, os Estados de Direito, cuidar de nossa
Educação e da nossa Saúde, em sentidos bem amplos. Para o bem estar dos seres
vivos e do planeta.
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| .. entre meus filhos Augusto e Bruno em 2015, em Curitiba |
Há aqui no último parágrafo meu apelo pessoal para que se
restabeleçam as administrações públicas em todos seus níveis e esferas. Nenhum
clube, igreja, instituição econômica ou mesmo maneirismo tecnológico, artístico
ou de linguagem poderá administrar a felicidade humana sem se aprimorarem as
administrações e gestões públicas. E se encerra este último parágrafo,
esperando que se tenha despertado, por aqui ao menos, um leve tremor de alma
entre nós, alguma remota sensibilidade ou memória do passado, quando nossos pais
ou avós do século XX lutavam para hoje a gente conhecer um progresso mais tranquilo,
nos termos da harmonia prometida pelo Universo Divino.



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