DIVERSAS IDÉIAS ADVERSAS

Entre outros aprendizados que esta página vem me proporcionando, há essa notável ampliação das minhas amizades. Isso vem me trazendo novos e inusitados afetos reais, de pessoas com os mais diversos matizes de opinião e também com heterogêneas tendências de pensamento. Todavia cresceu certa estranheza em torno de mim, aquela com que eu sempre convivi na vida, as pessoas inquirindo qual seria afinal a minha posição definitiva, em relação às escolhas: sejam por um grupo de estudos, por uma legenda política qualquer, por uma ideologia, uma religião ou um time de futebol. Minha última postagem sobre o Pepe Mujica ora me fez lembrar que, há muito, eu já deveria ter falado sobre isso: essas minhas tolas e todas e muitas e persistentes diversas idéias adversas. Explico melhor a seguir, parágrafo abaixo e daí para frente.
Minha ascendência, desde seus ancestrais, era assim: estranhava passar ponte e do outro lado encontrar toda uma nação com um idioma diverso. Descer escada no lar de um Senhor e cair numa senzala. Subir num elevador ou ascensor e desembarcar no solene gabinete do poder, seis metros acima de um salão repleto de inumeráveis e miseráveis burocracias administrativas, fossem elas atinentes ao setor estatal ou empresarial. Não compreendemos até hoje sair de uma plataforma de operadores e programadores para entrar na Sala de Situação de cardeais; grande "bureau" de dados, introjectado sob análises subsidiadas pela inteligência artificial de eletrônica em processos informatizados. Tais diversidades nos cenários e contextos, são muito e por demais heterogêneas, aliás, em seus teores de humanidade. Agora há também impulsos e sinapses ainda mais estranhos. Tanto de natureza eletrônica ou neurológica, trazidas destes microcosmos orgânicos e cibernéticos imediatos, quanto aqueles antigos vindos dalém, trazidos do macrocosmo estrelar no universo. Sendo assim, declaro e peço que se compadeçam de mim, porque cromossomas cármicos do DNA que já herdei não me permitiram, até hoje, eu ter uma opinião sectária e formada sobre a complexidade toda dessa vida pulsante existente ao redor, em torno desta minha humilde pessoa em movimento. 

O fato resultante disso é que já fui chamado de esquerdista e direitista nos embates políticos, de moralista ou de pervertido nas discussões sobre amor carnal, de excessivamente idealista e sonhador ou de materialista e imediatista nos projetos  arquitetônicos ou propostas urbanísticas. Raras vezes de espertalhão ou otário nos encaminhamentos pessoais. E, ainda, de conservador ou irresponsavelmente ousado e imprudente para os encaminhamentos de assuntos coletivos, seja em confrarias, em família ou em equipe profissional. Invariáveis e inúteis são meus habituais argumentos. Tento conciliar dois lados de cada questão e moeda.  Procuro sem cessar quase sempre atribuir visão única para dualidades que se dizem opostas nesta vida, buscando integrar e unir ideias diversas numa só concepção, que seja integral e única, utilizável para cada passo, de modo a que a sucessão deles defina uma coerência qualquer nas trilhas desta existência. Postei uma mensagem aos jovem em março deste ano, em meu aniversário. Daí fui chamado de moralista por afirmar que, por amor a si mesmo, além de outros cuidados, devemos evitar receber em nosso próprio corpo fluídos e energias alheias, por parte de quem não conhecemos ou nem nos afinamos suficientemente. E agora, mais recente, por conta da postagem anterior, para uns virei comunista de um dia para o outro, traindo minhas atitudes muito conciliadoras. Tenho brincado que minha posição é mais transcendental: de puro socialismo budista. 

Assim é que agora confesso: eu de fato sinto, penso e ajo assim mesmo. Sou contra me entregar ao sexo de forma casual ou esporádica ou mesmo periódica, sem que exista uma convivência cotidiana, responsável e pactuada nessa parceria física, inclua ela exclusivamente dois indivíduos humanos ou mais. E, também, adoro e comungo idéias de Dom Pepe Mojica, sobretudo essas ouvidas ao vivo. Pois foi um momento que levou muita gente à comoção, pela certeza de que ainda não estamos vivendo a sós neste mundo. Ao contrário: temos muito a trocar, uns com outros. E que um dia usaremos melhor as cibernéticas e telemáticas, não só para guerrear e ampliar egocentrismos; mas, sobretudo e também, doravante,  para aprimorar a existência. Como? Dando mais espiritualidade aos nossos próprios perfis individuais - únicos, diferenciados e singulares -  tanto naquilo que concerne a seus caracteres físico, emocional e racional como também quanto à sua personalidade etérica. Essa última seria o nome que se daria à caracterização genética em cada um de nós, da nossa memória quimiobiológica vital existente, também chamada de carma. 

Ainda que eu pense, sinta e aja assim, confesso também que me interesso e respeito muito por outros seres e aos seus pensares, sentires e agires. Ou seja, posso ter afeto ou amor ou compaixão por quem quer que seja. Mesmo se esse é diferente de mim; ou também que pense e sinta de forma contrária. Isso se refere a tudo quanto é isso ou aquilo, no que faço ou que move meu passo; e que, portanto, define meus caminhos. Esses caminhos, aliás, eles nada têm a ver com posições imutáveis e esclerosadas. Eles, os caminhos da existência, segundo as paisagens e suas insistentes mudanças e surpresas, sempre ali trazidas, nos conduzem a novas descobertas e a impermanentes possibilidades. Isso acontece assim, simples, para pessoas simples. Para desespero e insegurança das gentes inseguras, que se asseguram ao se segurar em convicções e regras e fórmulas previamente determinadas por terceiros. Essas infelizmente estão sempre disponíveis. E seguem antigos ritos e arranjos, há muito totalitários e já inomináveis, não só referentes a dogmas religiosos, ao fascismo, ao nazismo, ao stalinismo e por outros tantos fundamentalismos. São condutas que levam poucas pessoas a dominar e manipular os atos e idéias de muitas almas alheias. pertencentes a comunidade, grupo ou sociedade mais desavisada e vulnerável.
Para finalizar, tudo isso tem a ver com o que disse ao iniciar esta postagem. Minha rede de amigos aumentou muito. E reafirma meu amor pelo mundo, por toda esta vida e pela existência em geral; que habita e navega sobre nosso planeta. Isso para mim em comunhão mais comunicativa e profunda, sem dúvidas, com outros demais seres humanos. Pois tenho amigos que possuem mais facilidade de convívios com bichos e plantas, bem mais previsíveis. Pessoalmente prefiro todos esses seres humanos, hoje em suas ansiedades urbanas e suburbanas, até mesmo se residam em territórios rurais e aquíferos ou litorâneos, todos sob forte impacto da cidade dita civilizada, já subjugada pela metrópole ou megalópolis mais próxima. Por aí me vou, a desfrutar afetos infindos e infinitos e alguns menos ou mais íntimos. Esses últimos tendendo àquilo a que chamamos de família. Pois a família hoje é mais restrita para uns ou mais ampliada para outros. É grupo que mora sob o mesmo teto, ou de pessoas que se visitam em períodos muito próximos e que, também, costumam realizar mais de uma refeição e atividade de lazer a cada semana. Nessa noção aberta e atual de família, já não há necessidade de mesmo sangue, ainda que comprovadamente seu DNA facilite a ocorrência de afinidades. O que nos faz voltar à questão ética moral ou axiomática da procriação, do casal e da concepção. Daí a se dar devido respeito aos cultos diversos da fecundidade, desde as Vênus da pré história até a Coração de Maria, Nossa Senhora da Conceição ou Concepção, mantida virgem pela reafirmação do moderno feminismo, mas nunca excludente em relação a hegemonia da Anima Vida e do Polem. Que, juntos, reproduzem frutos e esses as novas sementes. 

Penso que, agora e de momento, não sei sequer como terminar esta postagem, redigida em desabafo e como um pedido de sua compreensão, a tudo em mim que se assemelha à dubiedades de posicionamento. Único jeito é sugerir que vocês, como boas e atentas amizades, se utilizem destas minhas mal traçadas linhas e palavras daqui, as usando como polem para, então, conceberem suas próprias ideias com respeito a tudo isso. 

Que essas suas novas idéias sejam novas e lindas, concebidas como filhotes, sob mesmas luzes divinas que me iluminam, ao saber que estão a me ler. Nossas Senhoras Todas da Concepção e da Criação que nos protejam. E que não mais eduquem como machistas as suas benditas crias. Evitando que elas, essas crias, assim caídas, sejam expulsas para o Leste do Éden. Para que não ocupem espaço das almas perdidas. No purgatório das contas bloqueadas ou dos telefones móveis sem baterias e conexões. E dos perfis amaldiçoados. Nessa rede social nossa de cada dia.

    

Comentários

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