VOCÊ INVENTA TENTA REINVENTA E TENTA PARA ALÉM DOS SETENTA


Quinta feira santa essa, 24 de março 2016 e completei setenta anos de vida. Esta mensagem agora é para os jovens mais confiáveis: aqueles com menos de trinta anos. Pois já dizia o poema dos tropicalistas na minha geração:"não confie em ninguém com mais de trinta anos". Refrão nos lábios de Gal e de Caetano. Com menos de trinta e com ambos, os dois cabeludos cheios de cachos, estive eu sentado a conversar, lado a lado: isso em Porto Alegre e em Florianópolis, depois de shows. Aqui em Curitiba inventei modas e bolas de cristal para pensar futuros com o poeta Leminski; em bares e na casa dum ou outro designer publicitário da moda, onde rolavam bebidinhas e coisinhas de graça. Por incrível que pareça, estava eu entre os mais extravagantes - comportamento e situação - já sem meus três pequenos filhos a a mãe deles a meu lado, sem lenços para chorar suas partidas de volta para os pagos e sem documento para trabalhar como professor universitário, profissão que havia tido na UFRGS entre 1969 e 1975, até ser retirado da disciplina Teoria da Arquitetura e designado a ensinar estudantes a confeccionar maquetes. Dois colegas e eu, empolgados com a "humanização" da cidade, já praticada em Curitiba. Na esteira dos socialistas Lúcio Costa, Niemeyer e Artigas, tivemos a má e imprudente ideia de iniciar debates acadêmicos sobre Função Social do Espaço, o qual passou a ser agigantado pela presença crescente de alunos vindos de outros cursos. Os outros dois pararam no ensino de Desenho Técnico e Materiais Construtivos. Eu me licenciei da Maquetaria e vim para Curitiba em 1975, onde o Departamento de Arquitetura na UFPR não me acolheu, devido quiçá à ficha funcional de agitador, Sabe-se lá, pois eram anos de chumbo aqueles, os do Presidente Medici.

Passados quarenta anos e mais três longos casamentos, três filhos e três enteados mais, tão amados quanto os três filhos gaúchos, meu recado de hoje para os jovens se resume, casualmente, a também em três coisas bem sérias a se dizer. A primeira é bem simples: a vida é longa. Por isso não se apresse para encontrar tudo aquilo que procura. Economize sua saúde. Como? Escolhendo bem tudo aquilo que coloca para dentro do seu organismo, especialmente comidas, fumaças e fluídos alheios. Escolha com muito -critério essas substâncias e energias externas que lhe entram, nutrem ou consomem seu corpo. Incluindo nelas as radiações solares, as cremosas e lunares. Essas nos chegam e entram pelos poros. Cuide de seu corpo interior. Tudo aquilo que procura já é seu e está bem aí, dentro de você. A partir de então, desfrute com vontade o que se lhe apresenta neste mundão. Certamente nunca será aquilo que antes procurava ou imaginava. Mas se deleite com a surpresa que o planeta lhe preparou. Talvez ela seja bem melhor do que tudo aquilo que havia pensado antes. Abra seu coração para enxergar e viver plenamente sua realidade palpável e cotidiana. Essa que lhe foi envolvendo a cada distraída e etérica divagação sua. E dessa sua mente imperfeita e muito cartesiana.


A segunda coisa surpreendente para dizer aos jovens, um homem de setenta anos com tantas coisas por ele já vividas, é que amor existe de verdade. Ele toma você e o arrebata, muito mais que paixões baratas e passageiras, essas de "ficantes" a cada festa ou temporada. Já falei um pouco sobre isso, numa postagem anterior deste blog. Seria gentil que você procurasse para mim em que entrelinhas já lhes disse isto, de que o amor é real e que existe mesmo, de fato. Mas por hoje eu aqui lhes falo bem mais focado sobre tão incrível verdade. Além do amor exigir coragem, digo mais sobre ele: qualquer covardia ou medo o ameaça e o consome. Não imagine o amor: ele é mutuo; não existe um amor não correspondido. Esse não é amor: afaste-se dele. Pessoas namoradeiras em geral nunca amam. Têm medo de se entregar ao amor. Não o desfrutam amor em profundidade e plenitude. Tiram toda pureza e generosidade: o que faz dele, o amor, algo egoísta e mesquinho, plantando rancor ou desamor. Falo do amor que vem como éter entre pessoas. Ele assalta indivíduos. Independe da vontade de cada um, do grau de parentesco ou de conhecimento prévio entre os que se amam. Há que se ter muito cuidado com esse amor, se ele lhe assaltar. E mais de uma vez isso irá acontecer na sua vida. Assim, se o cuidar e mergulhar sem medo, ele poderá ser duradouro e quase inexpugnável. Talvez por toda vida ou por duas ou três vidas. Ou ainda mais. Vi isso entre um dos casais de avós que tive, Vi isso entre primos, mães e pais com filhos. E ainda entre meus pais, Esses,sofreram um lapso por conta de triângulo amoroso, quando compartilhar a três uma união não era permitido à cultura da época. Lastimo, tão fidalgas e fecundas e sinceras eram três lindas pessoas envolvidas. E ainda vi isso entre vizinhos, amor eterno e leal entre pessoas; independente de seus gêneros e de qualquer desempenho em libidinagem. Mas lindo, longo e verdadeiro amor. A ponto de mesclar filhos vizinhos como se parentes fossem. E gerar descendências, por três ou mais e tantas gerações.

Por terceiro e último, jovens, me ouçam por favor. A vida começa aos sessenta anos. Nessa idade vocês terão aprendido finalmente a viver. Sabem por que? Porque conhecem o ciclo da vida e da morte, nas suas doces e mágicas profundezas. É quando saboreiam cada folículo, no gomo de cada fruto maduro desta vida. Tudo isso se tiver mantido um mínimo de saúde e comunhão amorosa de que lhes falei nos parágrafos acima. Sua alma será totalmente expandida para curtir a vida adoidado, sem quaisquer e nenhuma preocupação. Você estará, então, sem pressa alguma. No amor, amará as poucas pessoas gentis que sorrirem no seu caminho, sem qualquer reserva. Simples assim. Pois nada que fizer poderá causar mal entendidos. Confiará em quem confia em você. Amará quem na real o ama. Sorverá aromas e cores do planeta e na paisagens simples do cotidiano. Verá vida renascer em rebentos humanos, animais e vegetais, a cada dia que passa. Caminhará vitorioso na direção da própria morte. Pulsando como futura e breve semente humana, Retorna com ternura e muita calma, sem medos e muito devagar, pelo resto dos dias, ao seio e depois ao útero materno da nossa galaxia.                




Comentários

  1. Palmas, palmas, palmas!!!


    Incenso fosse música

    Isso de querer ser
    exatamente aquilo
    que a gente é
    ainda vai
    nos levar além

    ( Paulo Leminski ) Abrindo um antigo caderno
    foi que eu descobri:
    Antigamente eu era eterno (Leminski)

    Acreditamos que ainda somos...

    Deixo palavras que podem ir de encontro. Aprendendo e vivendo às relações. Me impressiona como " a vida é um círculo" como todos falam... até alertam, cuidado:" a vida é uma roda", uma hora pode voltar pra você! Façamos e deixamos rastros bons e certos... assim minha roda continua e mantém trazendo tudo de bom nessa vida!

    Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.
    Clarice Lispector

    Coloco aqui, algumas palavras que podem ir de encontro com parte de suas palavras...Palavras que possam combinar com minha vida e ir te encontro com relação a sua...

    Agradeço, pela grande e sábia continuidade "você tenta e se não puder, vo-cê tenta de novo".


    Assis, T.N.

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    1. Minha menina amada: você entende cada tentativa minha como quase ninguém entendeu ou entenderá. Vejo que postas poemas como guirlandas entre nossas palavras. Isso é muito lindo e bom, inda mais que já nos perdemos um tanto quanto do início, em tudo isso que nos mantém juntos, nesta mesma trilha de outras tantas entre tantas procuras. Há sabor de carambola e butiá ao meu lado esquerdo, invadindo o peito. Sabor de banana assada com mandioca e siri mole invadindo o cérebro. Perna com cheiro de jasmim do brejo e agora, bem no meio deste texto, música que borboleteia cada pétala dentro dos meus poros. Perturbação? Nenhuma nessa plena entrega. Vou até pensar nas festinhas dos oitenta e noventa caso se mantenha você por perto de mim, assim assim como um serafim.

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