Nada que anuncie, para todas as pessoas de bem, as tão esperadas novidades deste terceiro milênio, contado ao início da chamada Era Cristã. Cá entre meu botões e após tantas décadas já por mim vividas e vistas assim sempre tão divididas - por idéias ou concepções sociais, econômicas, culturais, ambientais e espaciais - vejo a necessidade visceral de sonhar: novos pensamentos e modelos para enxergar o mundo. Sobretudo e se possível, há que se criar algumas muito novas, talvez insipientes, formas de agir dentro dele, este finito planeta já quase tão insustentável desde a lama da mineração e das jazidas petrolíferas até a lama de sangues nas fronteiras e atentados nos centros mundiais.
Todavia, nada vejo que quebre de vez o individualismo crescente. Pouco há no horizonte que pareça retomar esforços coletivos por mudanças orquestradas, estabelecidas harmonicamente entre as pessoas. Ou grupos, ou comunidades em suas diversidades. Nada na direção ao benefício de todos, aquilo que os juristas já denominaram de Bem Comum. Antes de tudo, um movimento que se inicie no respeito ao bem comum entre palmeirenses e corintianos, que assim não sepulte o bom e bem jogado futebol. Assim por diante: também entre cristãos e não cristãos, religiosos e ateus. Ainda o bem comum entre quem lidera e quem produz ou consome, sob comando e responsabilidade real dos que gestionam ou gerenciam sistemas. Mais ainda: o bem comum entre nações do mundo; fronteiras mais abertas, por que não? Focando como alvos não culpados na pele dos adversos ou diversos que vivem noutra margem de seu espaço, mas tendo como alvos as verdadeiras fontes da violência: tais como fome, miséria e ignorância endêmicas. Ou ainda a finitude dos recursos naturais no planeta.
Para isso, há que se rever alguns paradigmas basilares e duais até hoje considerados irrevogáveis e que mantém o mundo em universos divididos. Crenças iníquas sobre "cada macaco no seu galho", "antes só do que mal acompanhado", "bandidos ou mocinhos" perdedores e vencedores" "normais e anormais", "quem não tem competência não se estabelece", "talento vem de berço" e assim por diante. Sempre exigem um pré julgamento ou preconceito daquilo que é mau ou bom, feio ou belo, com ou sem caráter. Isso dentro de uma mesma realidade humana planetária territorialmente indissolúvel. Onde espaços rurais, naturais e urbanizados, além de rotas e eixos de mobilidade e de navegação, são necessariamente compartilhados entre os povos São esses, no entanto, padrões ainda vigentes; e que a todos exigem demoradas reflexões, para nascer um novo olhar sobre este mundo.
O primeiro padrão cuja crença é quase sempre equivocada é o que define coragem e covardia. Tudo que nos foi apresentado até hoje como coragem - lutar e vencer, destemor e vitória nas batalhas - se dá como a própria manifestação da guerra e da violência. Não só entre povos como até mesmo entre sexos, racas e culturas. Pois é o contrário: nos ambientes humanos armados para a violência e nesses momentos de lutas ferrenhas ou heroicas, vence sempre o mais covarde, cujo ato exterminador está nele eivado do próprio medo acovardado de perder o botim ou a própria vida. Aos mais covardes de cada luta tende a vitória. De lado oposto, o amor e a solidariedade nos é apresentado como fraqueza e vulnerabilidade. O caminho da entrega e da conciliação é desarmado e serve para os perdedores que, entretanto, mantém valores de vida indelevelmente associados à própria perpetuação e à recriação da humanidade, como estados de constante vibração, paixão e compaixão. Só aos verdadeiros valentes é dado a capacidade de amar na sua infinitude. Aos covardes cabe a guerra, o conflito e a violência.
Pensemos um pouco sobre isso. E vamos juntos esboçando um novo milênio mais humano do que os vinte séculos anteriores... Não é tão difícil assim. Os sinais estão dados para repensar o cotidiano, nos espaços urbanizados, rurais, continentais e virtuais.


Excelente seu texto Cláudio! Vamos juntos então, tentar ao menos, esboçar um novo milênio! Grande abraço, Lota
ResponderExcluirJuntos e acreditando que faremos a diferença, como tantos outros que vivem essa ansiosa inconformidade: diante de tanto individualismo e covardias.
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