Há excesso de informação hoje em dia. Pior de tudo é
que ninguém sequer confere a consistência ou a veracidade daquilo que lê. Pois cabe
tudo na internet, sobretudo nas redes sociais. De teoria, então, é um
"Deus nos Acuda". Mensagens editadas e belamente ilustradas tornam
cada novo recado bem convincente, seja destinado a construir, destruir ou
substituir as ideias alheias. Doravante, tratarei de evitar também fazer ou
cometer isso. Farei deste um espaço virtual sem base conceitual acadêmica ou
teor pseudofilosófico. Proponho aqui espaço Teorias Zero. Bem que já tentei isso
um pouco, ali na rede social. E vi a reação de alguns dos velhos amigos. Como
num bar, afirmarem absurdos. Em religião um tiroteio e na política, por exemplo,
ouvi que regime socialista e monárquico da Coréia do Norte influi no mundo; que
ele inspira instituições públicas na América Latina.
Depois de viajar uns dias e visitar filhas e irmão ao
extremo sul, volto a escrever por aqui. Mas há o firme propósito de falar somente
sobre a alma das pessoas, na vida das cidades. Quero focar sonhos e desejos humanos,
que possam desenhar seus planos de vida, suas realizações ou os mais diversos prazeres,
voltados a melhor desfrutar delícias na cidade e em lugares do mundo. A única
disciplina no texto fica por conta de certo encadeamento. Cada sonho promove um
desejo, cada desejo esboça um plano de ação. Esse o processo. Há que se encarar
a grandeza do objeto sonhado e desejado, medir possibilidades e recursos para
alcançar os objetivos e medir resultados. Ainda resta a eficiência dos passos
na ação, sua eficácia para com os objetivos esboçados e, ao fim, quanto de efetivo
prazeroso gratificante (transformador quiçá) foi o resultado realmente obtido.
Há ainda e por fim outra questão: se a AÇÃO EM MOVIMENTO é coletiva ou individual,
ou seja, se essa busca é perpetrada ou não por mais de um indivíduo. Caso seja
assim, exige diálogo e consenso para PLANEJAR E PACTUAR cada passo. Quem sabe
um SISTEMA ou mesmo INSTITUIÇÃO de apoio, se forem muitos os envolvidos no
desejo. Para que, assim, possam se pautar compromissos ou em regras assumidas. Só
assim trilharão em conjunto na direção escolhida, focados nos objetos de seu desejo
e na medida de suas pretensões.
No parágrafo anterior já me traí. Acabei de falar em planos e normas para atingir metas. E isso pressupõe sistematizar compromisso (regras e debate permanente direto) e criar instituição: produtiva/empresarial, não governamental/laica, política/governamental e as de cunho lúdico/cultural - fé religiosa, esporte ou arte, por exemplos -, essas mescladas tantas vezes em suas expressões de deleite. Antes dessas tantas e tantãs formas instituídas de se viver, as que mais possuem miscigenação e diversidade intrínseca dentre os heterogêneos interesses humanos individuais são instituições comportamentais: não escritas e difusas indicam distintos hábitos e estilos de se viver, hoje em dia marcados pela complexidade dos ambientes urbanos, sob influência atual da ciber/tecnologia. Como exemplo gritante de regras nunca escritas, cada comunidade tem sua própria e peculiar noção de amor, de família, amizade ou convivência. Como também há movimento coletivo que implica na definição abstrata de gentileza, lealdade e civilidade. Um repertório compartido, enfim. Que pode ser entre vizinhos ou acionistas de uma mesma empresa, igreja ou clube.
Como ficamos eu e você sobre tudo isso que acabei de
escrever? De mim posso falar muito brevemente. Minha vez de ser estudado como
indivíduo livre e peculiar, nesse aparato cultural e institucional que me
cerca, nunca chegou. Daí a rebeldia e greve contra teorias acabadas. Acompanhei
cada debate do século XX e suas raízes vindas do século XIX. Desde o pós guerra.
Lá pelos anos cinquenta, vi crescer um mundo desejado como mais justo. Participei
de muito movimento pela democracia, sempre balizado pela Revolução Francesa,
retratada naquilo que se vê no romance e no musical “Les Miserables”. Nessa
linha, fizemos cair o velho patriarcado familiar, pude ver a liberação da
mulher crescer, até mesmo nos meus braços e na minha cama. Ajudei a se avançar na efetiva inclusão
racial e na dos amores e uniões homoafetivas. Mais recentemente, percebemos cada
pessoa especial incluída nas agendas públicas de países e planos, para adequada
fruição do espaço urbano e construído.
Quando imaginei que chegaria um dia vez de discutir
meu gênero inútil de macho hetero, intelectual velho e hoje deserdado, percebi
que não sou sequer matéria para movimento algum, pró ou contra esta condição de
cidadão mediano e medíocre. Por que nunca entramos na pauta dos estudiosos?
Porque há agora um debate bem mais urgente. Estão em cheque todos os sistemas
de gestão e de gerência, com impactos na operação efetiva, tanto esfera pública
como no setor privado, particular ou empresarial. Instituições estão com rumos
perdidos em quase todo o mundo. Isso porque os sistemas e instituições criadas
para atender desejos humanos passaram a ter mais valor intrínseco do que esses
sonhos e demandas que originaram sua criação. Deixaram de ser o meio adotado
pelo ser humano para atender a comunidade. Pervertidas, seus planos já se
voltam a umbigos de autoestima e apego. Eficiência e eficácia sem efetividade
socioambiental ou cultural. Preponderam,
enfim, sobre os mais caros objetos do desejo coletivo, que deveriam ser sua
finalidade.
Há grande inquietude na minha alma, que hoje vê ruir
e desaparecer várias instituições criadas na virada dos séculos XIX e XX e
muitos sistemas lá adotados. Foram alicerce importante para pactos republicanos
e avanço cultural, trouxeram períodos de boa caminhada e progresso para
organizar a sociedade urbana, para irmos à frente, coletiva e pacificamente, ao
par dos desastres bélicos patrocinados por instituições e sistemas
antropofágicos. Falarei disso adiante...


é mano Menna... é preciso muito esforço e vinho para não se deixar arrastar pela maré de merda que corre nas midias e inunda (imunda?) nosso dias...
ResponderExcluirMana Marilda da orla, sinto o doce marulhar do oceano aos seus ouvidos, mesmo que haja um leve toque de acidez no seu comentário, que fica por conta do vinho. Faz bem em ficar um pouco mais distante do planalto e das grandes cidades, menina ! Mil beijos !
ResponderExcluirE VIVA A DERROTA DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA, QUE HOJE ANIVERSARIA, SEM QUE SE TENHA DADO AUTONOMIA ÀS ESFERAS PROVINCIAIS OU ESTADUAIS DESTA FEDERAÇÃO !!!
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