Fiz uma proposta para que, através de três perguntas, nos indagássemos sobre o nosso legado de ânimo por assim dizer, desde o dia, pessoal de cada um, em que ocorreu a derrota brasileira por 7x1 na Copa do Mundo, ano passado. A primeira sobre o evento do jogo, como foi em impactos realistas. A segunda sobre os seus possíveis reflexos meses seguintes, nas eleições e no natal daquele ano, A última sobre os planos e as metas deste ano, com ênfase naquilo que tenham sido influenciados pelos fatos narrados nas perguntas anteriores.
Eu na ocasião assistia o jogo sob efeito de muito chope, num megatelão da Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Estava com a colega de trabalho com quem, desde o meu divórcio em 2011, mantive um romance que conseguiu se estender até o início deste ano. No vigésimo gole e no terceiro gol a olhei e, pela vez primeira, achei que fosse um personagem cinematográfico. Não me entendi mais porque havia sofrido até ali tanto, com uma pessoa que muito prometera e jamais deixaria o marido engenheiro com cara de músico e o namorado músico com cara de engenheiro. Minha fé em que, finalmente, passaríamos natal juntos naquele ano da Copa do Mundo desapareceu, ao ver que ela, como sempre, falava ao seu telefone, totalmente focada para, com alguém que não eu, dividir sua surpresa e sua visão sobre os acontecimentos no telão. Dali para frente não tive mais com quem compartilhar idéias sobre música, teatro, futebol, política eleitoral, festas de natal ou férias de verão. Somente amigos e amigas para a leitura dos cenários conjunturais; enquanto se esvaíam os planos de ordem pessoal e profissional; mesmo depois que ela foi me buscar, no dia primeiro deste ano em Florianópolis, lá na casa de minha filha, jurando ser totalmente minha e que iríamos viver sob mesmo teto a partir do aniversário dela em maio, Todavia, nunca mais caberiam, pelo menos em meu peito, novos contos de fada e novo desencanto nessa relação, escorrida pouco a pouco para o ralo desde aquele célebre 7x1.
Para responder à segunda pergunta, já começo minha argumentação otimista. Esse desastre aparente refez, para mim, uma visão mais realista de tudo, abrangendo todos os demais outros temas da vida, tais como os políticos, profissionais e culturais. Terminei o ano de 2014 com total clareza sobre o final daquele romance, sobre a necessidade de voltar para minha casa em Curitiba e enfrentar, lá, a ausência de meus familiares ou de companhia fixa. Mais que isso, já havia depois do 7x1 desistido de minha cruzada pessoal em favor do Planejamento Urbano responsável nos municípios, visto que nova geração de gestores públicos já nem mais se preocupa com isso, Desde cenários distritais, nos bairros da cidade, até cenários nacionais ou ministeriais e mesmo os mundiais, em que planejamento privado do espaço territorial prepondera sobre o planejamento estatal, sob a vitória, enfim, do neoliberalismo. Assim é que meus planos pessoais para 2015 foram delineados sim sob a égide do 7x1 e das derrotas no campo e no coração. Revi todo meu amor pela ARTE - riscada pintada escrita falada dançada e cantada - para então, a partir deste ano, pertencer somente a ela. E busquei na minha memória afetiva inspiração para rever e revisitar todos meus velhos e antigos amores e pendores, bem como a abrir caminho para novas amizades e afetos e carinhos. Agradeço a essa nova gente pelo modo como me reconheceu e acolheu, nesta condição de mais um sobrevivente entre os que, já em minoria, ainda acreditam que os seres humanos do mundo não se dividem em vencedores ou perdedores; mas sim em sete bilhões de individualidades singulares, que merecem respeito e muita compaixão, por parte pelo menos dos seres sensíveis, os quais entendem diversidade e heterogeneidade como tecido maior e imprescindível desta condição humana.
Como terceira resposta, afirmo que se desapegar do ego das vitórias e crescer na sabedoria da derrota é imprescindível. Os objetivos que as minha derrotas pessoais em 2014 me ensinaram a esboçar e a desenhar para este ano estão se construindo e constituindo de vento em popa. É essa grande aventura a que chamamos vida, com sua impermanência, que devemos nos propor a partir de derrotas e falências acachapantes como aquele 7x1. Porém que seja como, ao final, nos ensina o filme "Zorba o Grego": dançando. E por fim, neste encerramento, a eles, os cidadãos gregos,"patinhos feios" da União Européia e comunidade que herdou o berço da civilização como lar, eu humildemente dedico estas muito mal traçadas e tortas linhas. Brinco agora de expressão corporal sob os princípios do Butoh, dança nascida após as bombas atômicas no Japão, derrota maior do século passado. E a seguir mergulho fundo na paixão de encontrar e amar novamente uma outra sobrevivente, para que seja comigo outra corajosa passageira nesta trilha humana de cortesias: um caminho de se viver uma integralidade finalmente de relação, numa leal e cúmplice união a dois, sob mesmo sustentável teto.
Como terceira resposta, afirmo que se desapegar do ego das vitórias e crescer na sabedoria da derrota é imprescindível. Os objetivos que as minha derrotas pessoais em 2014 me ensinaram a esboçar e a desenhar para este ano estão se construindo e constituindo de vento em popa. É essa grande aventura a que chamamos vida, com sua impermanência, que devemos nos propor a partir de derrotas e falências acachapantes como aquele 7x1. Porém que seja como, ao final, nos ensina o filme "Zorba o Grego": dançando. E por fim, neste encerramento, a eles, os cidadãos gregos,"patinhos feios" da União Européia e comunidade que herdou o berço da civilização como lar, eu humildemente dedico estas muito mal traçadas e tortas linhas. Brinco agora de expressão corporal sob os princípios do Butoh, dança nascida após as bombas atômicas no Japão, derrota maior do século passado. E a seguir mergulho fundo na paixão de encontrar e amar novamente uma outra sobrevivente, para que seja comigo outra corajosa passageira nesta trilha humana de cortesias: um caminho de se viver uma integralidade finalmente de relação, numa leal e cúmplice união a dois, sob mesmo sustentável teto.


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