Não se trata de endoidar. 'Discutir repúblicas em setembro e adentrar na guerra dos sexos agora, mês seguinte? Endoidou, pai ?' - é um dos filhos a perguntar. Nada disso, porém.. É tudo a mesma coisa, garoto. Guerras por Poder ou Phoder é que sempre derrubaram avanços na civilidade: em afetos, no amor, na união coletiva das comunidades, humanidades, tribos ou povos. O único antídoto ao veneno da disputa por mandos e desmandos, movidos a libidos ou vaidades, para liderar movimentos da vida, a única saída é a Cultura ! Essa, mal ou bem, se manifesta neste texto e, sobretudo,em grandes versos e poemas, epopeias, demais obras literárias, nas sinfonias, acordes, traços, pinceladas, entalhes, luzes, objetos, filmes, painéis, grafites, esculturas, peças teatrais, cartuns, mantras, danças, circos e ainda sambas, rodas e batuques... E tudo mais que pulse como sangue na artéria por ali: desde vida uterina, prazer no umbigo e depois na língua se saciando, fulgor das mucosas, glandes, clitóris e lábios, em vários sutis múltiplos orgasmos e desejos. Toda a inteligência emocional, humana demasiadamente humana, essa está na sedução e nasce da mulher, ninfas e sacerdotisas desta vida insana. Pai! Só acho que você se apaixonou novamente! Ele ri na minha cara. Eu polidamente o mando catar coquinhos.
O problema está na Guerra e no Amor. Sou do tempo em que, cabeludos e cabeludas, nos despojamos de tudo para clamar que se fizesse muito mais amor e nunca mais as guerras. Mas essa ambivalência nunca foi tão simples assim. Outras faces tem essa dicotomia de amor e guerra. Razão e Sensibilidade é nome de novela literária do século retrasado. Patrão e Empregado. Gerente e Balconista. O gestor e seus funcionários. Sociedades urbanas ou cibernéticas, divididas em comunidades, grupos ou parelha de indivíduos. Casais em disputa de poder, a todo e qualquer gênero de libido. Hierarquia entre dois é processo suicida, competitivo e cruel. Todavia vem entronizada por uma sociedade universal sempre hierarquizada, antes pelo poder da força, hoje pelo poder de compra por cada cidadão. Esse se reflete como o antigo, na vida pouco solidária das pessoas, tanto em assédios morais como também na pura e mais cabida indiferença: de um cidadão ou de um estudante em relação a seu vizinho. Seja de casa ou de escrivaninha, na escola e no trabalho, na vida familiar ou cultural pelo cotidiano afora.
Para piorar as coisas há também jogos de violência e adversidades também, a se insinuar na Cultura, pelos mitos de guerra ancestrais em força bruta. E, mais insidiosamente, via disputas esportivas; e de crenças religiosas, de competências ou méritos, esses por valores nunca amplamente e devidamente discutidos. Todavia é ali, na área mais "pecaminosa" ou anárquica das Culturas, que poderá se haver ou obter um antídoto, pacifista e amoroso. para se reduzir tais desencontros e desencantos provocados pelo machismo recorrente da humanidade. Pois é urgente, até mesmo politicamente, que se animem as esperanças e os desejos por vidas renovadas, para novas e mais sustentáveis paixões e desfrutes, diante desta inusitada, porém dispersiva e abundante, diversidade de interesses hoje disponíveis nas comunidades civilizadas e cosmopolitas, cada dia mais concentradas nas grandes metrópoles, nesses amplos tecidos intensamente urbanizados, adensados ou dispersos, nos territórios dos continentes.
Verei se me explico melhor. Quero dizer que machismo é conceito de hierarquia, de mando e de poder. Entendo haver ocorrência machista no ato de dominar/manipular outro ser humano, em relações que deveriam ser compartilhadas e desfrutadas a dois, ou a três e mais, por que não?. Isso ocorre entre os casais e grupos unidos, mas também nas mais diversas e heterogêneas "parelhas": entre alguns amigos ou amigas, entre gerações de familiares ou em relações afetivas e existenciais de quaisquer tipos ou ordens. Convívios íntimos ou divisão de teto de qualquer natureza, que deixam de ser "parelhas" porque ali não existe equidade dentro da(s) relação(ões). Isso em alguns momentos que sejam, ou - mais grave - na maioria dos momentos, vividos em comum num mesmo espaço. Uma trilha cotidiana, se definida e direcionada por um só dos indivíduos, na maioria das circunstâncias com que ambos ou todos se depararam. Isso é machismo. Então, por que falamos em feminismo? Trata-se de inverter um mando que é espúrio o transferindo, como poder dominante, de homens para as mulheres? Não. Não é isso. Isso não seria mudança, mas mera transferência de jugo e submissão.
Aceitemos todavia a nomenclatura feminismo. Ela foi se impondo naturalmente, de forma popular e como contraposição e antônimo do machismo, palavra que, como expressão de poder e de mando, é e sempre foi a maior ameaça da civilidade, da cortesia e da arte. Nesse blog já falei antes de coragens e de covardias, expressões que, como feminismo e machismo, representam forte dualidade entre duas atitudes: de amor ou de guerra. Enquanto amor e coragem abraçam e acalantam, guerra e covardia agridem e fogem. Por puro e infame medo.
Daí então é que se passou, na História Humana, um novo início no recontar dos anos e séculos: isso depois de Cristo. Acredite ou não você ser ele o filho ungido pelo Universo Divino, nos dois milênios mais recentes a sua palavra vem desafiando, na verdade, o machismo plantado durante dez milênios anteriores, de humanidades em guerras imperiais em botins territoriais colonialistas ou escravagistas. Jesus, além de separar o mercado da alma humana, tirando mercadores do templo, livrou nossa alma dos impasses governativos e de se por a enfrentar césares romanos. A esses cabia a mesquinharia de cobrar e gastar impostos, no imenso condomínio dos assentamentos daquele império. Em outras palavras, Jesus disse não haver importância nesse assunto administrativo, esperando soluções daqueles gestores públicos de então; mas que a importância reside, ao contrário, na reflexão sobre si mesmo e na sua própria capacidade de contribuir diretamente com os demais.
Mais que isso, esse nazareno - com seu pai José, seu primo João e outros - devolveu para todas as mulheres - com suas capacidades de concepção e de outras tantas competências na vida - o lugar a que elas sempre tiveram direito, no altar da existência, aos desfrutar o fruto do conhecimento do bem e do mal, amor discernido da guerra, extraído diretamente ali, na Árvore da Vida. Maria, sua irmã Hanna e Madalena, esta antes ameaçada de apedrejamento, da Era Cristã para a frente, não somente se sentariam no banquete, mas doravante ensinariam os homens sobre os sabores e os prazeres da vida, através do amor ilimitado. E sobre isso falarei adiante, no mês de novembro. Em dois milênios recém findos, muitos e tantos focos reincidentes de machismos ainda a nos atormentar, ameaçando sempre as correntes libertárias da humanidade. Abaixo a imagem de Maria na versão de rainha como Nossa Senhora da Conceição ou da Concepção, origem imaculada e soberana da vida.




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